terça-feira, 27 de maio de 2008

intervalo !!

... momentaneamente ocupado ! Há café e as velhas escritas desde que o local abriu !

quarta-feira, 14 de maio de 2008

muro de silêncio !

Parado jazia atrás de si, alto, quente, enorme e intransponivel muro de coisa nenhuma, parado barrava a vontade de se voltar, parado gritava as impossibilidades com que cruzara e tropeçara uma vida que agora não olhava, não via, a vida dos dias que não voltam atrás, a viagem de volta a lado nenhum, aos cheiros e dores, perdidos, tidos e abandonados em dias de coisa vazia. Parado ali estava, muro de transparência volátil, chumbo maior e peso de penas, penas fracas, penas doridas, tardes largadas em corridas de medos sós. Orava em frente ao altar daquele momento, prometia e pedia ao céu que não via, barrado estava, quente e grande era o muro que o fechava, de coragem pouca assim vedada. Quis chorar como menino, gritar como gritavam os loucos, quis dizer os nomes e levar-lhes pedaços, quis ser e voltar, os olhos içou em desafio, as mãos guardou em temor, tocou o muro e passou-lhe a mão em arrepio fantasma. Acordou e nasceu, saltou o fim dos fins e voltou. Àquele dia de calor escondido entregaria a cruz, a sua e a dos homens, a eles entenderia e saberia amar. Saltando muros de gente feita, onde as palavras se escondiam em música e embalavam sonhos perdidos!

sexta-feira, 9 de maio de 2008

manhã ...

Quinze anos ! Esse era o tempo que lembrava ter celebrado naquela última festa de gente dada e não pedida. Tantos e tantos amigos sonhados, não presentes nem buscados, queridos mas nunca tocados. Era de manhã, fresca manhã de ar com cheiro, de luz com letras, onde os animais se despediam em seus olhares de gente com deus. Era de manhã e saiu Raul, em busca de nada mais que não os apertos de uma lágrima, dada e recebida por palavras que aprendera a escrever dentro de si, medo nenhum num bocado de coração pequeno e gigante, em olhos de menino apenas e só, que aprendera a amar o olhar da manhã que sempre o acolhia, da noite que sempre o embalava aquecido. Medo nenhum de partir e assim foi, assim calcorreou seu caminho de sonhos com vida, de vida com sonhos, obrigado coisa franzina que me trouxeste, por toda força que em silêncio fizeste, por todo o medo que em mim escondeste, por tanta vida que não se cortou naquele momento, assim pensou sem olhar para trás naquele dia em que apenas seu cheiro de mãe mulher saberia guardar como tesouro e coisa dada em lição feita corpo e bocado de si. Quinze anos pois então, loucura em cabeça de menino, arranjo em corpo franzino, com tão pouco partiu, de tão pouco fez seu caminho, de gritos e juras eternas, que tal amor entregaria, que a ela guardaria lugar em mundo contado, sonhado e acreditado naquele bocado de céu onde sempre pudera adormecer ouvindo o canto de um passarinho dourado, que era ela e ele, que era tudo que tinha e daria, em mundo de saudade que não chorava. E foi, e foi, e foi ... sabendo que olhando ao caminho em frente, saberia um por um os passos dados e ficados desde aquela manhã.... Com quinze anos apenas !

segunda-feira, 5 de maio de 2008

noite de gente !

Caiu a noite e avançou o tempo, foi-se o dia em bocados, chegou o cansaço de olhos de sono, de sono apenas, sem brilho ou busca, olhos simples e quietos. Parecera por ali existir um ruído de silêncio feito, uma impossível melodia de imagens, de gente, de toda a gente. E afinal não era nada, de especial ao menos, daquele especial que merecesse atenção, bocado de pensamento, tremor e viagem interior em corpo e alma, não era pois nada, sequer invulgar, apenas a cor e o som do fim ...

... de bocados
idos e tidos
de pecados
nunca vividos

... de caminhos
e coisas mais
de desalinhos
e vendavais

... e daquela liberdade
e de tão boa certeza
de vidas sem idade
e fins sem tristeza

... apenas e só o fim
de querer querer
e de querer crer
aqueles olhos assim

.. não era pois mais que isso trazido pela noite, aquela e a de antes, aquela e a de depois, chegado no mesmo vento de mar, na mesma luz de sóis e luas que se revezam em seu labor, de manter vivo tanto lugar. Onde começam e acabam, noites com gente sem gente !

quinta-feira, 1 de maio de 2008

familia !

Vi-te em forma de gente
Gente com forma de vida
Longe em tempo sem cor
Vi-te e ali te quis minha
Em dias sem frio ou quente
Em estrada em mim perdida
Perdido nesse dia de amor
Em sonhos que já não tinha

Quem eras, quem eram gente ?
Em mesa que vi com lugar meu
Onde desistiram e medo entrou
Em simples coisa chamada vida
Olhem-se hoje, como quem sente
Em tanto amor que nunca valeu
Por onde andará quem me ensinou
O caminho de uma mão perdida ?

sexta-feira, 25 de abril de 2008

perdido jesus !

E havia este homem, simples homem filho de deus, de deus sem nome
E a ele correram os homens, tantos homens, filhos de gente homem
E havia o sol, esse grande sol, como grande era o calor e sua cor
E a ele rezaram também os tementes, a ele choraram a vida os crentes

E girava a terra, começavam os dias, começavam as noites e estrelas
E tudo um dia acabou então, foram-se os deuses, as velas e os choros
E de tristeza se cobriram as vestes de purpura e as estrelas cairam
Perdoem gentes a confusão do templo, eram afinal vivos os vendilhões

Perdoem gentes o sangue perdido em rezas de sangue roubado e ferido
Que um dia venha deus a sua terra, que um dia possa ele a ti ajoelhar
E nos dias, nos olhos, nas mãos, no choro de um dia que nunca nasceu
Que nesse dia caia a cruz, se apague a vela, nasçam o homem e a mulher

E não se dê nome nem dono
Não se reze de passo incerto
Porque é na terra seu trono
De vida, amor e morte perto

quarta-feira, 23 de abril de 2008

repescado ... this post !!

e a 26 de março de 2007 escreveu-se neste canto:

vontade expressa em vida e em lucidez ......

... e quando arrancar daqui sabe Deus para onde, e quando olharem para mim e por mais que me falem ou perguntem obtiverem como resposta uma paradez tal que vos obrigue a concluir que de facto parti.... quero que saibam:

- a cerimónia do até à vista, vulgo funeral, apenas pode ser frequentada com a roupa do dia a dia, onde vocês sejam vocês...
- que se fume e fale em voz alta, recordando apenas os momentos em que soube ser parte da vossa vida, que vos suscitem sorrisos e comentários do tipo... ' e lembras-te quando ? '
- que após todas as conversas e na hora de arrumar com o corpito de sessenta e poucos quilos, se opte pela redução a cinzas, menos emocional e mais poética ( e para que irei precisar dos ossos e compêndios se não há Estádio da Luz no além ?? )
- que quando nos dias seguintes das vossas vidas estiverem a ler ou ouvir musica, se lembrem que uma dessas coisas eu fazia muito e outra pouco....
... e que nunca esqueçam, sempre que o Glorioso ganhar ou o 6 de Novembro passar , lembrem-se que continuo nalgum lado e nesse momento devolvem-me a vida, porque consegui por aqui alguma coisa descobrir.... um espaço dentro dos amigos que nunca nos deixam partir de vez...

Assim faço com a Licas,a minha querida Avó Alice, todos os dias de novo entre nós, assim ensinarei também a quem trouxe .....

E manifesto este público desejo porque na hora do aperto, tudo se faz a correr e nem tempo temos de perguntar ao partidor como gostaria da sua festinha de despedida...

Deal?

sexta-feira, 18 de abril de 2008

estoril ... not open yet !!!



Começou nos idos de 90, idos e bem idos, já lá vão dezoito anos, esta é a 19ª edição ! Ultrapassando todas as dificuldades inerentes a quem empreende qualquer coisa de jeito neste País, logisticas, humanas e financeiras, o facto é que um até então meio desconhecido João Lagos lá foi trazendo jogadores de renome, do top 100 mundial no inicio, enfrentando mesmo assim o desdém e inveja de quem pensava ser fácil trazer a Portugal, para jogar torneios do ATP, jogadores de alto nível. Lá se foi socorrendo de muitos espanhóis, muitos e bons diga-se de passagem, e de outros que viam ali a oportunidade de iniciar a época de terra batida, preparando cá e em Barcelona, no Conde de Godó, a subida de forma para Roland Garros. Era pois com os espanhóis e toda a sua hiper-influência que Lagos se batia, tentando angariar os melhores tenistas para o quadro do seu torneio. Ainda assim ... muitos exigiam, poucos ou nenhuns davam. A não ser uma infatigável equipa que soube criar, de verdadeiros amantes do ténis e não só, amantes da luta de criar e consolidar o .. impossível também. O facto é que cada ano que passava, o prestigio do 1º cabeça de série do nosso Open subia a escadaria. E de entre alguns ex-top 5, passando por autênticos marcos na modalidade, começámos a ter ténis de muitissimo bom nível ali pelo Jamor, na eterna luta contra um Abril de águas mil, João Lagos conseguiu que as presenças aumentassem e aumentassem a cada ano que passava. De amantes deste desporto e ..... fundamental e inevitávelmente de .... socialites. De figuras da raquete e de amantes daquele som inimitável de uma bola a saltar entre dois lados de uma rede. Por sorte e acréscimo, quem botava figura por cá conseguia por norma boas performances em França.
Todo o mundo queria aparecer naquela semana, a ida e presença no VIP's Lounge era condição obrigatória. Quem por ali não passa , tem queda garantida no ranking bajulatório. Todo o bicho macaco metido a gente importante entra naquele espaço e, com ar de quem não quer a coisa, faz tudo por ser fotografado, entrevistado, bajulado, beijado, apaparicado, servido à borla, de drinks e mesa de rei ... ! Tudo com um ar de .... semi indiferença e meio blasé. São ministros, banqueiros, construtores, autarcas, secretários de estado e toda a sua árvore genealógica governativa, ex e actuais, quiçá futuros, tios e tias, catrefadas de lindos sobrinhos, feios e gordos também os/as há, jogadores da bola, treinadores disto e daquilo, medalhados ( coisa relativamente nova por esta banda tuga ) e mais uma ou outra espécie representativa deste tão nosso bravoduckismo de ricos que não pagam cheta de impostos, enfim, um verdadeiro mundo de Tuguismo e suas elites ou candidatos a elas ! E tudo, para esta parafernália de .. suportadores/aturadores de ténis, ' à borliu '. Para um cada vez maior número de verdadeiros apreciadores, à espera ia estando um recinto cada vez mais acolhedor, pensado e executado por um autêntico engenheiro ( ainda os haverá por cá, dos autênticos ?? ) que do impossivel foi fazendo um espaço fantástico, funcional, bonito. Tirando o imponderável da chuva, que nem com a padroeira Fátima, a Senhora, a Nossa, eleita como VIP também, deixa de azucrinar a semana do Open, tudo está a um nível para que apenas Lagos e todos os patrocinadores que a custo conquistou para a sua causa contribuem. O público merece porque ... comparece. Quanto aos ' aparecedores em fotografia ' com algum poder de decisão, desde presidentes de câmara, a secretários de estado, para já nem falar dos ministros , a sua única contribuição nestes dezoito anos foi emborcar coparia à borla, fazer tristes figuras a tossir charutos, mamar à mesa também, dar cabo da paciência a fotógrafos, usar e abusar do tempo de repórteres sem futuro !
Quanto a arranjar uma solução, um espaço em condições para impôr o Estoril Open como passagem obrigatória dos melhores do mundo ... todos os anos, para deleite de milhares de pessoas que mostram como gostam deste desporto, que gostam e acompanham gente como João Lagos, quanto a isso NÉPIA, NICLES, NÉRIBI !!! Afinal, na hora de arcar, montar e desmontar aquela mini cidade, estão a tratar de outros carnavais, bulir que é bom, vai lá vai, não é hora ainda de espaventos e caipiroskas !! Pena é que ... toda esta corja de exibicionistas de paletó da politica continue a ver-lhe franqueada a porta das mordomias ! Eu, bem eu mandava-os FODER , comprar bilhetinho e chegar de navette ou a penates como todo o povo, o mesmo povo que os vê por lá nesta caça ao ' aparecer ' e que quando toca a votos e a elegê-los ainda vai lá quiçá com a mesma tenacidade com que se desloca ao Jamor, com chuva, neve ou sol. A um espaço apenas possível pela mão invisível de uma equipa que há vinte anos acreditou, ainda hoje o faz. Pois aí, nessa de lhes dar os votos por ali escarafunchados em presenças bacocas, fiz o que a organização devia fazer a tanto prometedor de banha da cobra: mandei -os foder, faz tempo. Por ironia, talvez vinte anos mesmo !!

PS: Este ano veio o Roger Federer, um dos melhores tenistas de sempre. O povo agradeceu e está a deleitar-se . Na tenda VIP, os politiqueiros de polichinelo perguntam: Roger quê ? Moore ?

PS: Foda-se !!!

pequeno apontamento !



Há trinta e dois anos sentei-me a meio da noite para vê-lo correr. Hoje sentámo-nos os dois para ver correr o Federer !!

terça-feira, 15 de abril de 2008

deus, menino homem ...



E rezava o Deus homem
Ao surdo e Homem deus
Falando do alto da cruz
A tementes e esquecidos
Que velas assim consomem
E tantos céus fazem seus
Temendo o escuro sem luz
Fugindo dos olhos caídos

Fugia o menino das palhas
Fugia Deus homem da cruz
De gente que por migalhas
Deixa morrer meninos nus
Orava pois Deus ao tal Pai
Que houvesse outro amanhã
Onde não se chora ou cai
Falho de mãos em coisa vã

sexta-feira, 11 de abril de 2008

NY ... de novo !



Não me canso daquele lugar. Lugar de gente, de todas as gentes, de coisas, todas as coisas, de vida, todas as vidas, mesmo as que nunca acontecem.
Chego pelo PATH à estação do WTC, saio à rua e vejo-me no ground zero, viro à direita pela Church St. de novo à direita nos semáforos com a Liberty e tomo o pequeno almoço num lugar por ali logo, por onde andaram bombeiros e outros socorros naquele dia que ali não passa ao lado, dali nunca sairá. É um tipico sitio de ' american breakfast ' este lugar que gosto mesmo, tem tudo e de tudo, ovos e baked beans, donuts, pancakes, muffins & derivados, café em barda, sumos e outros. E tem um tal de Mocha Java, coisa batida de café, banana e chocolate, gelado ' comme il faut '! Os pedidos de mil combinações calóricas, alimenticias e de fraco fervor dietético são ao ritmo da actividade bolsista tipo Wall Street, de ordens gritadas e apanhadas no ar, parece que ninguém se governa mas no fim nada falha, berrou quem podia, ouviu quem necessitava, tudo está lá... no tabuleiro, é pegar, seguir e sentar ! Assim faço então ... no meio de todos e de ninguém , no meio do mundo e em mundo meu ! Adoro isso em NY, todos temos um bocado nosso, um caminho nosso, algo que ninguém cobiça, rouba ou invade, a liberdade de por ali se ser, sonhar, olhar, sentir, VIVER !! Dali saio, café na mão, cigarro noutra, pronto para um dia de cheiros e olhares novos, as mesmas ruas e avenidas num dia de as ver de outro jeito, as mesmissimas pessoas, novissimas pessoas, pessoas, lugares de arranha céus, semáforos, grafitti's, táxis, molhos de gente que atravessa em passadeiras de boneco verde ou encarnado, numa comunhão espiritual com os carros, que lugar algum do mundo tem que se compare, a eterna buzinadela ' honk ' de tamanho e sonoridade de marca registada que nos lembra onde estamos, cidade que nos cruza com um longo cardápio de judeus, brancos, altos, gordos, transparentes, negros, muçulmanos, budistas, junkies, pernas altas, hindus, pernas curtas, yuppies de ténis, gente que no chão se senta, pets que mendigam o dólar da sobrevivência, e elas de ténis também, gente que tripa em viagens de ácidos novos, em loucuras de cores e paredes que mexem e os agarram, como monstros gigantes, música em todo o lado, silêncio onde quiseres, gente que pede, que dá, que olha, que escuta, a ti e outros deuses, gente que morre e se vai em sirenes que os buscam, lugares onde páras e te sentas em minuto teu de NY, a luz e aquele cheiro, aquela esquina eterna onde viras ou te perdes. O mundo mandou para lá representantes seus, em NY há de tudo e toda a gente, a que vive e sonha, ou morre sem ousar, os de preto e os das flores, até o Divino por lá se faz ver .... Percebemos isso quando entramos ... e parece que nascemos de novo . Amo de facto aquele lugar .... Por lá existem as gentes ... ainda que não o queiram ou saibam !!

sábado, 5 de abril de 2008

noticias !!

Fujo dos tablóides, noticiários e outros ' diz que disse ' que diária e inevitavelmente se cruzam no dia que me espera ao saltar da cama. Já dou de barato as costumeiras prescrições na justiça, negligências médicas, chusma de aumentos em tudo o que mexe ... enfim ! Pego n' A Bola ' companheira de infância, mesmo aí cuido de passar os dedos ao de leve em novas sobre ' velhas coisas ' que não mudam nunca, bebo um café, dou conta dos afazeres profissionais, paternos ou de passarinho livre, consoante a conjuntura e .. tento chegar ao fim do dia sem aquela sensação de viver num falso País, falso lugar, de gentes que guardam para o ' dia do voto ' a sua participação máxima neste ninho de cucos ! Ontem, distraído confesso, deixei-me apanhar nas malhas noticiárias: aumentam os casos de abuso infantil, a violência sobre os idosos ! Vomito sem pôr os dedos à boca. No entretanto ouço que um caso de burla ao estado passado há 10 anos ( sim, DEZ ! ), no montante de perto de 10 ( sim DEZ ! ) milhões de euros vai agora ser analisado no sentido de se concluir se merecerá intervenção do Tribunal. Passo a desabafar :

1ª Foda-se !!!!

2º Neste lugar, entre andar a fugir à violência das extremidades vitais, parece que o cérebro se nos pára numa agonia de que nem os cabrões dos Zombies que me aterrorizaram a infância padeciam.

3º Votem, nunca se esqueçam de votar. Eles pedem-nos e assim, comportadinhos, damos azo a que acreditem que entre a merda e o cagalhão ainda temos um sabor preferido.

4º Estou com 45, safei-me da parte infantil, não sei se me safo da geriátrica, mas se tal acontecer ... digo aos meus filhos que em próxima vida os amaldiçoo, como reza a mensagem querida por esta gente de tanto deus e cabeça nenhuma !!

5º Vou dormir e sonhar que não ouvi aquele c .... ão de noticiário !!

mendigo !

Cala-te mendigo, em teu olhar
Tão sujas tuas mãos, de nada
Fracos, teus olhos de abandono
Cabelo, cheiro e pés de morte
Ainda lembras o sitio de amar
De manhãs e noites de mão dada
De deuses e orações sem dono
Almas de uma corte sem sorte ?

Perdida a vontade de te querer
Os lugares teus para conhecer
Em paisagens de sol e tanto ver
De mil dias e tempo de teu ser
Perdoarias mendigo meu esquecer
Tanta indiferença sem perceber
Que de vida de gente vi morrer
A vontade esquecida do teu sofrer

A verdade te diria, essa verdade
Tão dura, suja, feia e com rosto
Teus olhos veria, em mim guardaria
Neles leria, veria e aprenderia
O bocado de gente e medo guardado
Lugar que temo e onde te vejo posto
Mendigo, morro e sonho com o dia
Em que teu cheiro e vida amaria

quinta-feira, 3 de abril de 2008

homem !

Porque em nada nadas ?
Em ti perdido te afogas ?
Temores a deuses guardas ?
E em mágoas choradas
Aos céus, temendo rogas
Lonjura de vidas pardas

Que são tuas
As tuas
Perdidas
Em luas
Não tuas
Fugidas

Onde em nada nadas
E contudo com tudo
Que em ti vive e morre
Breves as passadas
Em rezas de mudo
De vida que não escorre

De ti sem deus
De deus sem ti
Homem bicho divino
Tristes e seus
Perdidos em si
Homens de fraco destino

domingo, 30 de março de 2008

de volta às voltas ... das tradições !

Só de imaginar que de tradições nossas iria falar... era coisa para dar arrepio. Na nossa melhor arte de ser Tuga, Luso, da Silva, somos povo de as arranjar ao melhor estilo de imbecilidade refinada, para tudo arranjamos justificação saloia, tudo serve para nos quedarmos felizes e orgulhosos com a nossa peculiaridade de levar a vida não levando, de assistir impávidos a tanta alarvidade e xico espertice de juntar água, comentando ' ai é's ? ' e ' só mesmo cá's !! ' sem no entanto cuidar de algo mudar. Papamos a coisa, indignamo-nos, chateamos meio mundo em bichas de espera ( bicha de fila, não de à má fila !! ) com as nossa conversas de regeneração e ... pegamos na vassourinha, levantamos o tapete e varremos para baixo da vista !
Do alto da sua conjuntura de Doutorados, ergue-se a classe de governantes e gritando ' já basta ' debita meia duzia de soluções à presidente da junta, a turba aplaude, acredita, meneia sim's com um ar circunspecto, lava os dentes, vai-se deitar e agradece a Deus por um dia mais. Igualzinho mas ... um dia mais !
Depois de massacrados com o triste espectáculo dos pedófilos sem culpa, dos autarcas ' bravo duck's ' perdoados e de novo aclamados, dos árbitros barrigudos, bigodudos e putanheiros, de um sem número de javardices que esbarram em qualquer tribunal sem tectos ou computadores, de uma saúde fechada para obras, de viver num paraíso porque o senhor ( sem maiuscula porque apenas divino para si mesmo !! ) diz que é um paraíso ... salta às primeiras páginas a noticia de que a Patricia armou barraco de puxa e empurra a Professora, em busca do telemóvel sacado. No entretanto, um molho, vulgo turma de perfeitos anormais, assistia, aplaudia, grunhia e gravava as imagens. A coisa ganhou vulto, saltou para noticiários e afins, os opinion makers de inteligência suprema e única botaram falação, o povo masturbou-se num bacanal de execução publica. O Sr. Silva, número um do burgo ... antigo fraco leitor de jornais ... ESCANDALIZOU-SE ! Com quê ? Com as imagens do You Tube !!! What ??? O País mudou assim tanto ? O Presidente analisa e toma conhecimento das coisas ... via Google ?? Wow ... Obrigado Senhor ( com maiuscula, este é divino !! )...
Acabou pois a tradição secular tão nossa ... de nada fazer, nada prever, nada pensar ! Não mais fingiremos que o ensino é uma bosta, a saúde outra, a justiça a bosta mor ... não mais esqueceremos que cenas destas começam na puta da deseducação de paizinhos idiotas, de paizinhos sem tempo, de meninos que antes de serem pessoas são desistentes, de exemplos que vêm de cima, de todo o cima, de politicos de mentira que contam histórias da carochinha ao povo das tradições, de gente que vive no meio de velhos que se abandonam, de crianças largadas a sitio de perspectiva alguma, de violências domésticas impunes, de gente que festeja qualquer quadra sacrificando a Deus vinte a trinta cordeiros no asfalto, de tanta mas tanta merda de tão fácil solução se um dia , talvez um dia , quiséssemos querer, pensar, ser ... GENTE ! E isso ... parece que aconteceu ! Contrariando a maré que há anos nos puxa e empurra, nos tranformou em gente de porcos hábitos e merdas atiradas para longe da vista ... desta vez ... o Senhor Silva FICOU CHOCADO ! As coisas vão mudar ... amanhã no Tube ... veremos nosso novo jardim !
Ahhh, parece que a Patricia vai mudar de escola !! F... -se , não dava para mudar o País em vez dela ???? De escola, gentes e mentalidade ?? Quebrando a tradição ???

terça-feira, 25 de março de 2008

rei ninguém !

Por entre ícones em gigante mármore e o ressoar musical de seus passos em batidas que se perdiam naquele imenso mundo de arcos, claustros e salões, onde se regiam as gentes e se moldavam em decretos vidas de vulgar pessoa, titubeava o pobre menino Rei, preso a medos seus e a uma teia fatal, infalível, de fracos devotos e poderosas cobiças que à sua volta gravitavam, num mundo de divinas luzes, de cleros e austeras leis, de conluios e punhais de morte, num desfiar de dias falhos de luz ou calores maternos, paternos, fraternos até. Aos doze reinava, com punho guiado por nobres e servos de Deus, por entre missas crescia, por entre guerras partia, por entre si e seus passos se afogava em tão cruel destino real, pobre menino sem vida. Rei era seu título, palácio o seu lugar, vida o seu secreto sonho proibido. E assim, dos seus passos escutava o ecoar, como se neles navegasse só, em mares sem fúria ou rancor, como se em desobediência real e divina o pudessem guiar para lá daquelas paredes, daquela prisão onde fermentava a trama, se comprava com velas, temores e queimas de incenso o perdão da traição à Palavra. Reinava pois só, em reino de coisa alguma, onde não havia tão simples e mágico momento em que olhando para dentro de si, viviam as gentes a condição de ser-se alguém ! Ganhou nome e cognome, loas lhe teceram e memória guardaram, a ele, logo a ele, que nem viver experimentara! Por entre tantas vidas de nada ....

sexta-feira, 21 de março de 2008

companhias de um deus triste !

Apenas um dia mais, rua acima sem tempo, rua abaixo sem gente, entre dois sóis de inverno em sua flagrante impotência, por entre passos aprendidos em cidade perdida, falho e esquecido de recordações embaladas em histórias de magia e cor, pés sujos e gastos numa indiferença sem esperança, olhar perdido, fingido, camuflado em esquinas de surpresa nenhuma, em parceiros de desdita, de quimera largada, sonho amarfanhado de filhos de deus, seguia M., seguia pois atrás de coisa alguma, como se verdade pudesse ter havido em distantes bocados de dias e lugares, coisa fugaz de tempos de menino largados em correria por vida fantasma. Há quanto tempo estaria ali, quantas daquelas pessoas seriam suas em seu destino, onde deixara de ser menino, rapaz, homem, gente, filho, alguém ?
Caiu a tarde em sua muda de cores, carregada de chuva, trazendo aquele frio e escuro que dividia com Maria, Maria apenas, sem nome nem rosto ou alma, apenas idosa, velha, trapo abandonado, amante perdida, agarrada, vendida e comprada de barato vinho, ao desbarato largada, com mãos de soldado mendigo, olhos de mulher ninguém, Maria, sua mãe, irmã, avó, amiga desconhecida. Encharcados em seu canto, por entre lágrimas de solidão e vinho, por entre imaginadas idas a passado algum, jantaram o nada que tinham, abençoaram a pobre gente que seguia em corridas de passos sós, rezaram ao seu deus, ao deus que por ali estava também, em seu lugar de sempre na terra. Triste os olhou, triste os perguntou: que fazemos aqui ?

terça-feira, 18 de março de 2008

vislumbre de um passado não meu !

Vi-te. De relance primeiro, naquele momento em que entraste à bruta e sem avisar em cabeça minha, parado em silêncio para te escutar depois, quando viajei dali para fora contigo, nas palavras que falavas sózinho, no teu olhar perdido e arrumado num céu que um dia foi nosso, meu, teu, de todos os que te miravam com dó, esse mesmo dó que um dia aprenderão a ter de si, em suas vidas vazias de gentes assim, assim como tu, velho de olhar de gente, balbuciando palavras perdidas e vividas em tempo que foi grande e teu, algures num dia, numa hora cheia, onde coube um coração de homem vivo, com boca de palavras aprendidas em velhos livros de infância, parei ali, nem me viste, parei o carro mais à frente, quis tirar-te uma fotografia, guardar-te e trazer-te para sitio sem frio, teria o direito de fazê-lo, virias ensinar um pouco de vida a menino de cidade ? Guardei-te a silhueta, juro ter ouvido tuas palavras, quero-te no álbum de amigos, são poucos sabes, mas é lá que te guardo, é lá que tens lugar, amigo perdido, por onde andas agora, que caminho te trouxe até mim ? ... com quem divides o bater de coração, quem as mãos te dá em noites de chuva e frio, por onde vagueias quando as estrelas chegam ? Louco, assim te julga a cidade onde passeias passos perdidos, assim pára o lugar e momento de longinquas pessoas, apenas pessoas iguais a ti, em tempos que guardaste num bocado que já não se divide! Vi-te ali .... quis aprender o significado daquele olhar, daquele arrazoado de secretas palavras cujo segredo vive em ti, cruzámos o olhar sem julgamentos, fico feliz ... guarda-me algures AMIGO ! Velho e velho amigo Voltaremos a ver-nos um dia ?

domingo, 16 de março de 2008

desalento !

Vasto
o caminho
Longa
a espera
Único
o desalinho
Certa
a quimera

De pensamentos
E mandamentos
Fugazes
Audazes
Os momentos
E os alentos
Desaparecidos
Esquecidos

Vida
E morte e vida
Querida
A sorte perdida
Tempo
Que tudo apaga
Destino
Ou sina ou saga

De futuro feito passado
Menino, homem rasgado
Coisa moldada em gente
Na fraqueza de ser crente
E vastos eram, assim sei
O sol, o céu e um Deus
E da morte, eterna lei
Que fracos e fortes fez seus

Vasto
o caminho
Curto
o momento
Único
e sózinho
Certo
o desalento

terça-feira, 11 de março de 2008

repescado ... this post !

e a 13 de agosto de 2007, escreveu-se neste canto:


efémero !


E tudo era pois efémero
Cada momento acabado
Cada bocado vivido
De sentir não sentido
Vulgar, apenas vulgar
E vazias as vontades

E na força de um olhar
Misteriosamente sem medos
Respostas em silêncio
Como se pudesse ir mais longe
Vivendo sem temer fins
Renasceu a pessoa sendo lobo

E aprendeu a olhar
Admirou-se ser olhado
Sem o medo dos medos
E nas coisas efémeras
De ontem e amanhã
Descobriu porque parara