quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

deserto ...


Tão longa e infinita a areia em tua paisagem de rainha sem dó, texturada em mistérios de poder , longos teus abraços de lânguida secura, como a morte sedutora, de alma redutora, exibindo dotes de magia travestida, longas pernas de mulher fatal, braços de homem adónis, peitorais de hércules sem fim, em ti caminham loucuras vãs, de sangue manchadas, em sangue pintadas, um sangue barato e esquecido, no teu solo de queimação meus pés ofereço em troca, num rodopio de judas novos, de mães vendidas, vidas esquecidas, que vi em ti deserto mulher, espaço de fraco perfume sequer?.. onde secaram célere bocados únicos de gente de um dia ido, perdido, de cruzes e velas vestido, longo foi o caminho, infinito em areia movediça, escaldadiça a caminhada, longa a cruzada de demónio teu, como bem falavas, que bem vestias, cheiravas, assim te vi do céu, nesse céu que subi em espirais do mais volátil desejo, o de ganhar perdendo e deixando, perder-me sem te perder, assim falavam os sábios meus, que eram braços moldados teus, malfadados braços teus, lembras-te? sei que sim, lembras-te pois e bem, que luxúria na longa noite, que dolorosa a lenta ida de uma vida que quiseste um dia dançar, jurei proteger, voou, de mim, em ti, num estuporado vazio desculpado e não imaginado. Parto. Ao sitio escondido volto, segredo irreal, desnudo, de um ser e de um ser-se na multidão. De gente livre e descalça que voa sem cuidar de marés mortas, de longas e quentes mortes e sortes. Vê-me voar, exangue, mas vê-me voar, pois do alto resgatarei as pégadas ao esquecimento. Lembras-te de mim deserto?

6 comentários:

Anônimo disse...

Algunzinho? Não Red, trazes muito mais que apenas isso.. Por onde andam tuas mãos que escrevem com a alma do deserto? Deserto onde já me perdi, onde já vivi.. e quão fiel é a tua poesia a essa paisagem vazia que nos preenche e enche dando-nos o tamanho do mundo num graão de areia.

Isis

Vitor disse...

Deserto de todos nós,ou apenas de alguns...mas que de areia fina feita grão,te enchem de inspiração.

XR disse...

Não um grão nem dois, milhares em turbilhão, cega perante o céu tornado chumbo pela areia em voo, ferem a vista, agridem as mãos, prendem-me as pernas bambas, socorro não consigo respirar, onde está o keffiyah que não o encontro nesta ventania, nem a boca posso abrir para gritar sem que ela se encha desta areia malfadada que tudo enche, não posso mais, não posso mais, caio enroscada em posição fetal e a areia cobre-me sem piedade, será que me vão encontrar algum dia?

De repente o silêncio ... a tempestade de areia segue para outras paragens tão depressa como veio, quantos desgraçados irá apanhar no seu caminho?

redjan disse...

isis: as minhas mãos? Por aí ... apanhando letras ..

vitor: vai escrever amigo ... ;-)

XR: escrevemos ao desafio? de letras e desertos delas desertas?

XR disse...

John:
quanto a isso, são os teus textos que volta e meia têm o condão de me inspirar, de tirar a rolha da nascente das palavras que em meio aos números do meu dia-a-dia não têm onde se espraiar.

Este cantinho convida a isso, a deixar as palavras voar ... entre comboios, tempestades de areia e pássaros de medo, as minhas elevam-se dançando ao som da música que teces com as tuas, não um desafio mas um complemento talvez ;)

maicher disse...

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