domingo, 29 de março de 2009

concluindo.... !




Marcel cruzava e descruzava as pernas, num passar de tempo despreocupado em mais uma tarde de calor, típica em Ouagadougou. Ainda não entendera porque aceitara aquele prémio ganho numa inofensiva rifa dos escuteiros parisienses, antes o plasma ou o cruzeiro virtual pelo Amazonas, mas quisera a sorte, sorte como quem diz, que a ele saísse uma semana com tudo pago na capital do antigo Alto Volta, hoje Fasso, Burkina Fasso, apresentação à boa maneira bondiana, ou bondensse como queiram. Marcel, decorrida que estava a ensolarada tarde, cruzava e descruzava as pernas numa tímida tentativa de espantar incómoda comichão por partes baixas, mesmo em África não ficava mal ser-se discreto no alívio de incomodidades púbicas e púdicas.


Na mesa ao lado, na mesmíssima e única esplanada onde se podia disfrutar de algum recato e cerveja fresca por aquelas bandas, Gregory, doutor Greg para os amigos, House para os milhões de seguidores em sua saga pel Fox, olhava o franzino francês e diagnosticava-o através do modo como cruzando e descruzando os membros inferiores continuava o repetido movimento de erguer um dos superiores, membro claro, numa ânsia pouco escondida de refrescar a goela. Mais, sendo fumador, conclusão óbvia do médico pela presença de dois maços de Marlboro, e fanático do Manchester United, dica que resultava da t-shirt do Cristiano Ronaldo que envergava, não por uma questão homossexual de idolatria ao macho em si, mas por devoção ao futebol bonito dos ' devils ' personificado no madeirense, sendo franciú e estando no Burkina, era práticamente certo que sofresse o desgraçado de Fibrodisplasia Ossificante Progressiva, nem mais nem menos, viesse de lá quem viesse contrariá-lo, a Cameron, o Chase ou o Foreman, trouxessem a Cuddy ou o Wilson se quisessem, aquele cruza/descruza em fim de tarde Fassense era coisa de FOP e ' mainada '... ouviram?

Na mesa ao lado da mesa ao lado, ou seja, duas mesas ao lado da mesa onde começa esta saga, Holmes, Sherlock de graça própria, ali aparecido não por artes de rifas mas depois de uma espectacular escapadela de um dos romances onde do nada descobre crime e meio e mais um par de botas, salvo seja, Holmes dizia, fazia ombrear o frio de sua expressão com o das imperiais que aterravam em catadupa de modo a fazer esquecer algum mistério mal resolvido ou a falta de uma escapadela por vícios nunca a nu trazidos, apenas entendidos por utensílios por ele meneados e que nada tinham a ver com lupas, cachimbos ou chapéus à ' raistaparta '.. Olhando o francês Marcel e seu consecutivo cruzar de perna, rápido o detective concluíu tratar-se o elemento do principal suspeito de todos os crimes resolvidos e por resolver na última semana de Ouaga ( abreviatura doravante utilizada para o local deste fim de tarde !! ). Ainda que não lhe tendo sido pedida qualquer opinião, em três penadas ficaram resolvidos meia dúzia de mistérios que se não tinham ainda assolado as redondezas se preparavam para o fazer. Assassino e ... siga a marinha, viesse de lá mais um ' fino ' ....

Marcel, o desgraçado Marcel, francesinho de gema mas longe da aura de um Proust ou Duchamp, seus homónimos de graça primeira, continuava absorto em sua dúvida acerca das ironias do destino, que de um nobre gesto solidário para com a ' escuteirada ' dos Champs Élysées o atirara para o bafo de uma tarde africana e uma comichão que o atazanava e lhe impedia um pingo mínimo de felicidade em pôr-do-sol numa esplanada de celebridades. Coçar ou não coçar... era a questão e Marcel haveria de resolvê-la.
Como Greg o fizera fibrodisplasiando o moço, como Holmes fizera apodando de canalha um desgraçado rifeiro originário do banlieue e metido a fino. E se eram moços de confiar, ai se eram, dupla de respeito, da Fox e da Velha Albion e sua Londres mundana.
Marcel, num rasgo de liberdade, levantou-se, acabou com sua tormenta de cruza, faz que não cruza e sim, coçou os testículos, vulgo bolas, vulgo tomates.
Gregory e Sherlock, saíram de fininho, apanharam um avião, aterraram na Cidade Maravilhosa, entraram num táxi e foram directos à Rocinha.

Ouaga... essa nunca mais foi a mesma, em suas tardes faltariam para sempre três mesas a abarrotar de ' cervejame ' , comichões, conclusões e outras coisas coçadas acabadas em ' ões ' !!...


domingo, 22 de março de 2009

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Aceita-se parceiro para se viciar em PADEL !!!

sexta-feira, 20 de março de 2009

coisas da tv ....


A Polícia Judiciária (PJ) do Porto anunciou, esta manhã, a detenção de três homens e duas mulheres, todos estrangeiros, por presumível autoria de crimes de tráfico de pessoas, lenocínio, lenocínio de menor, sequestro e ofensa à integridade física, entre outros, tal como o DN avançara ontem.
in DN

Parece que ouço o bruá de espanto e indignação em todos os lares portugueses que acompanham a notícia nos telejornais. Como é possível ? Que crueldade...! Num exercício fantasioso, questiono-me quantos desses milhares de indignados passaram já uma boa meia hora, por entre ' bóbós ' e ' entradas de quatro ', em finais de tarde ou fins de semana com ' amigalhaços ', por entre fins de noite para desenjoar da rotina prometida a um padre longinquo e de feições já esquecidas... Quantos? Hummmmmmmm, quantos? ... Acho que muitos. E no entanto não deixo de estranhar semelhante número de mera suposição minha. Prostituição? Como assim? De 'gaja' que gosta muito de cama e é uma puta ou .... da outra? Que move alguns milhões largos de euros, num negócio tão escondido, tão escondido, que comprando um qualquer jornaleco, desportivos incluídos, podemos apreciar as ' bombas ', assim ao jeito de carro em segunda mão, onde anunciam ' dotes ', medidas de peitõezões, quantidades de pelos púbicos e de números de circo em que se especializaram ? Negóciozinho clandestinio, que tal como durante a Lei Seca americana fez com que o preço do whisky disparasse na época para valores superiores aos dos tinteiros para impressoras, passe a tradução para preços absurdos nos dias de hoje , faz com que todo este negócio, inexistente desde os tempos em que Salazar assim o declarou, fuja ao controle do estado, nomeadamente através da cobrança de impostos e do controle sanitário. E de.... não menos importante, protecção dada a quem dele faz profissão. Sendo, segundo a crença e sabedoria popular, das mais velhas actividades do mundo, a prostituição ainda não chegou cá ao burgo, ao Portugalzinho de Viriato e D. Sebastião. Deve acompanhar na viagem a corrupção que, pelos vistos, é coisa de pouca monta por cá também.

- E que vergonha o que aquela rede fazia. Que crueldade, já viste marido?
- Já... mulher, como é possível?
E de mão dada trocaram ;-) com ;-) e viveram felizes para todo o sempre. Na riqueza e na pobreza e mais no blá blá que ainda lembravam, claro.


' Crianças guineenses contam com a solidariedade dos portugueses em operação urgente ao coração ... '
in noticiários televisivos de 20 março


Comovente. Sério... comovente!! Não há como os portugueses para se chegarem à frente quando as notícias lhes gritam uma desgraça. Aparecem, atropelam-se, vão aos bolsinhos e toma lá de dar com lágrimazinha ao canto do olho. E Portugal salvou as crianças... Quantas ? Quais? E quantos destes solidários de apelo televisivo diáriamente, semanalmente, mensalmente, se atropelam também na táctica de enganar o proximo e o estado, fugindo a impostos como quem muda de camisa ou de faixa na 2ª circular , atirando para o esquecimento, para a rua, velhos, crianças, doentes e outros mais fracos? Faça-se a notícia rapazes, divulgue-se: por cá, nas nossas ruas e cidades, no nosso País, não se morre apenas de operação urgente por fazer, morre-se de solidão e abandono, lento e cruel também. Desprezado e não olhado ... Ai... que coisa cruel ..como aquela crueldadezinha dos meninos maus da notícia acima.

- E tu marido, já deste, já pagaste os impostos?
- Mas... eles já pediram na TV ?


E trocaram ;-) com ;-) e foram ter bébés saudáveis e felizes. Dos que não precisam de corações operados de urgência , dos que não acabam ' de quatro ' nem em bóbós que não são Aniki ...

quinta-feira, 19 de março de 2009

tempo de ser !

Queria pedir-te perdão
tempo
Talvez até dar-te razão
Mas não te tenho
Sabes tempo ?
Não te guardo, logo a ti
Raro
Vivido e perdido
Dividido
Caro
Quase esquecido
Como poderia eu então ?
... tempo,
Fazer-te dentro de mim
Eternizar-te
Em bocados de amor
E olhares de perdão
Que raro, que caro
Assim tu parado
Lembrado
Que vivo sejas
Enquanto de ti
Me queira lembrar
Perdoa-nos
tempo perdido
No medo da morte
De quem esqueceu
O tempo seu
O tempo de se ser
Sendo tu tempo
E sendo eu

quarta-feira, 18 de março de 2009

a espera no elefante!


Deixo o Kuka na escola, são nove e poucos, tempo de ir tomar um café e muito provávelmente ler a eterna ' A Bola ', mais por vicio e companhia acho, café e cigarro também, ' noblesse oblige ', quando olho para o lado e vejo o elefante, não o do zé mas o azul, o das lavagens de carro, e a verdade é que o meu já não vê água daquela faz muito, zás à direita e pronto. é sexta-feira, é manhã ainda mais ou menos cedo, deve ser coisa rápida.
Entrado no recinto deparo-me com todas as estações ocupadas e... todas menos uma já com um carro em espera. Enquanto estranho o que faz toda aquela gente por ali, a escolha óbvia atira-me para o buraquinho onde me tornava o próximo também, fico atrás de uma dupla que lava um pequeno Polo. E que dupla! Dava para fazer uma tripla, se não uma quádrupla, tal era o volume carnal das lavadoiras que me precediam. Sem o jornal ainda, sem café à ilharga, restou-me sacar e acender um paivante de modo a amenizar a espera, debruçando-me sobre o esmero com que a baleia de serviço à mangueira à minha frente lavava, escovava, rebuscava, enxotava, expulsava qualquer arremedo de sujidade do seu carro. O espectáculo de ver os cetáceos entrar na viatura findo o duche e SPA que ofereciam à mesma trazia-me na expectativa, fazia-me imaginar o quanto não suava o desgraçado Polo na tarefa de as passear e entendia pois aquele duche eterno que lhe ofereciam. A cada final de período de água e sabão respondia uma das da parelha com uma rápida ida à carteira em busca de mais trocos e moedinhas. Posso jurar que o c.....ão do carro já reluzia mais que as estrelas da fé cristã e outras que tais, o que não demovia a Calamity Jane de mangueira na mão em sua compenetrada fúria de o decapar em seu último vislumbre de pó ou sujeirinha. Deus testava-me a paciência, nada que um segundo e terceiro cigarros não ajudassem a superar. O branquinho Volkswagen já se esparramava em seu torpor orgásmico de quem é massajado como nem na Tailândia e eu temia que o fundo de maneio da baleia financiadora do evento não se esgotasse. Todos os outros companheiros do triste momento de lavar o carrinho se haviam já revezado e trocado, já não tinha por ali conhecidos da hora de chegada, o vaivém nas outras ' boxes ' era o normal em pessoas que consideram que lavar a viatura não é o mesmo que sair para beber um copo e perder horas de enfiada. Aceitando a penitência e desafio divino acendi um quarto Marlboro, troquei olhares vazios com as massas disformes que torturavam a porra do carrinho e ganhei esperança quando giraram a opção para o ' enxaguar ' que normalmente precede os últimos minutos da tarefa, lançei um olhar ao céu e exigi o reconhecimento e recompensa pela minha humilde espera onde me mantive sem trejeitos ou palavras entre dentes. E o céu, em sua grandeza e alguma divindade também, respondeu-me e devolveu-me alguma crença: acabou com os trocos à avantajada financeira no exacto momento em que apenas meio carrinho se vira livre do tsunami de espuma com que o haviam afogado na meia hora precedente. Voilà.... não iria a dupla passar ao penteado e unhas, acabou-se-lhes o guito, acabou-se a cegarrega. Entraram no hiper lavado que não enxaguado, lançaram um último olhar à mangueira e arrancaram, certamente em direcção a uma caixa ATM para levantar mais uns vinte euritos p'ró que restava da lavagem!
Três minutos depois, lavado que estava o meu carrito com uma de sabão e meia de jacto, arranquei e reentrei na Marginal. Chegado à rotunda de Carcavelos ia jurar que o Polo branco que circulava em intermináveis e enjoadas voltinhas naquela geometria rodoviária era ocupado pelo binómio de brancura obssessiva que acabara de partilhar comigo quase meia manhã. Ou não encontravam um MB ou .. se a coisa estava ali havia de ser contornada e usada até à exaustão, que era lá aquilo, não eram parolas de não dar uso às coisas, castigo à rotunda ao jeito do paquiderme. Azul claro!!

terça-feira, 17 de março de 2009

história ! ... e um pouquinho mais !!!


Abadir vagueava por entre as noites de céu estrelado e as idas e vindas em seu barco irmão que o levava e trazia Mármara adentro, companhia calada em baloiços de geometria numa pesca de vida e alimento ao corpo. Abadir olhava a noite numa paixão cúmplice, segredo guardado de seus passeios sonhados por céu de deus apenas seu, com nome de memória nenhuma, com obra de gente aconchegada e fugida à ira implacável de dias de sol em brasa e forno e gentes iradas. Na quietude perdida num horizonte de azuis e negros aqui e ali salpicados, olhou o traço rasgado e divino que lhe entrou em sonho perdido e o acordou ao torpor da noite calada. Os peixes de Abadir continuaram mudos em seu destino traçado e pendurado, mortos e a secar. Abadir olhou-os na esperança que voltassem à vida e lhe dividissem o medo em dois. Ignorava, simplesmente ignorava, que no céu se abria o quinto buraco do mandamento de Dragata, a deusa estelar chegada em sua frota voadora, aos ombros de soldados de Ptom, planeta vingador do acabado mundo na era perdida em palavras dos templos. Dragata nada tinha contra Abadir, nem contra seus peixes antes mortos e agora secos. Dragata e Abadir não se amavam, não se sabiam ou sentiam, temiam-se e desconheciam-se apenas, como se fossem um só ao olhar o fim dos dias que haviam aprendido a esquecer, largados em suspiros de poeiras celestes e profundos azuis do Mármara. Ptom não ficava perto e Abadir não lhe conhecia trejeitos ou orações, promessas rezadas ou ajoelhadas. Na santa ignorância de um olhar perdido, acompanhou o traço de luz com o indicador que lhe puxava a linha e exclamou:

- Que me quereis deus, se um deus és, que quereis a insignificante pescador fugido e escondido dos males da escuridão dos filhos da confusão?

Dragata temeu o pobre homem e ordenou à vida escondida que voltasse ao planeta Mãe. A cor dos olhos de Abadir prenunciava o frio dos caminhos perdidos, a salvação do simples homem recordava-lhe a infância perdida alguns milhares de anos atrás quando era apenas uma criança enganada pelo brilho dos templos. Vestiu-se de nuvem branca e zarpou ao destino, por entre buracos negros inventados e tempos sem fim nem princípio.
Manhã cedo o Mármara chamou o pescador, as suas águas de sempre acolheram o pequeno e assustado ser e o embalaram em ondas gigantes que o fizeram partir. Abadir não mais foi visto e seus peixes permaneceram secos e mortos para todo o sempre das horas.
Dragata, Dragata naturalizou-se humana, casou e teve muitos filhinhos. Lindos e com olhinhos lindos. E o mundo continuou, ao invés do pescador !

... anos mais tarde, sacerdotes de Ptom clamaram pelo regresso de Dragata. Esta amuou, bateu o pé em trejeito de infante contrariado copiado de seu mais novo rebento.
Bihtar, alto-sacerdote, mostrou-lhe as planícies de cinza onde antes se colhia o cereal, os rios de pedra que antes davam de beber, as nuvens de pó que antes entornavam chuva. Ptom, mundo irado, cuspira fogo das entranhas pela partida de Dragata e estava agora prestes a imolar os seus.
Cobrindo a face com as mãos, Dragata sentiu o peso da humanidade por si escolhida na noite da viagem de Abadir, pois sendo mulher como se poderia dividir em duas?
Atormentada sentou-se nas escuras encostas de onde podia espraiar a vista na mágica noite do Mármara e levantou o olhar para o distante veludo negro incrustado de jóias de rainha sobre a sua cabeça.
Um traço, rasgão largo no veludo mimetizava o fulgor do cristal e da filigrana o rendado. Brilhou sobre Dragata e ela sorriu ...

by XR

sexta-feira, 13 de março de 2009

maçã


'Questionado pela Lusa, o gabinete de imprensa dos bloquistas afirmou que o partido não se vai fazer representar no encontro de Eduardo dos Santos com o Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, e os partidos com assento parlamentar, por estar em desacordo com o Governo angolano “no que diz respeito aos direitos humanos, à liberdade de imprensa e à própria concepção de democracia”. '

in O Público, 9 de Março de 2009

Então pois... os senhores do BE, liderados pelo sumo Louçã, com seu ar e fraseado de padre inflamado saído do seminário, imagem não muito católica, bem sei, não compareceram à cerimónia de recepção ao presidente angolano.
Este grupo sui generis do panorama político português, nascido da fusão entre a UDP e o PSR, duas forças do mais democrático que o demo pode conceber, de inspiração marxista e trotskista, dois baluartes na concepção de soluções políticas e sociais que tiveram exemplos fantásticos em países como a ex-URSS, a Albânia, a China, a ex-RDA e por aí fora, ou seja tudo locais a roçar o paraíso social, com direitos humanos ao nível da Idade Média e a fazer corar a Inquisição, com níveis de vida ao género de Amadora + Rive Gauche elevado ao cubo, este grupo dizia, recusa-se a estar presente em tal cerimónia, nem sequer cuidando de pelo menos tentar interceder pelos homosexuais, fumadores de charros e adolescentes histéricos em busca de porra nenhuma, coisinhas lindas e diferentes só porque sim... que naquele país de África haverão por certo também. Francisco, Fernando e Miguel, o trio de mosqueteiros com a visão La Palissiana do que está errado e com um saco de soluções cheio de ar e coisa nenhuma, não estiveram presentes a receber José Eduardo dos Santos. Eu também não estive.. e quase que aposto que o senhor deu pela ausência dos bloquistas do céu prometido e caos garantido como terá dado pela pela minha...


Bernard Leon Madoff (29 de abril de 1938) foi o presidente de uma sociedade de investimento que tem o seu nome e que fundou em 1960. Esta sociedade foi uma das mais importantes de Wall Street. Madoff também foi uma das principais figuras da filantropia judaica. Em Dezembro de 2008 Madoff foi detido pelo FBI e acusado de fraude. O juiz federal Louis L. Stanton congelou os activos de Madoff. Suspeita-se que a fraude tenha alcançado mais de 50 000 milhões de dólares, o que a torna numa das maiores fraudes financeiras levadas a cabo por uma só pessoa.

in Wikipédia

A acusação pede uma pena de cento e cinquenta anos para Madoff. Este, arrependido, assumiu já toda a culpa e vergonha. Não sei se as suas artes de manipulação conseguirão um aumento de duzentos anos no seu prazo de vida na terra, de modo a gozar ainda algum tempo em liberdade, isto se a condenação atingir aquela verba temporal. O que sei é que o pobre Bernard se enganou, entre outras coisas, no local onde sediou a sua trapaça. Tivesse o ex-génio da NASDAQ desenvolvido o seu esquema branquista/rodista ( para citar duas situações que fizeram escola em Portugal ) cá pelo burgo e ... cento e cinquenta anos tinha garantidos sim, não de pena ou condenação mas de espera por entre recursos, incidentes, testemunhas de baixa médica, juízes de férias e por aí fora. E ainda a procissão estaria no adro e bem no adro, a coisa prescrevia, o rapaz reiniciava actividade com o mesmo logo e outro nome e dava corpo à saga Madoff II, um filme perto de si, num cinema português... Do que não se livraria por certo era da condenação ao género testemunha de Jeová que lhe moveria o nosso querido Louçã, logo que arranjasse um tempinho e uma vez auto-dispensado de cerimónias onde pouca falta faria ...

MAdoff e LouÇÃ .. dois casos a dar que pensar! Um que está sem estar, outro que não está mas podia bem estar!

quarta-feira, 11 de março de 2009

sete + cinco & os velhos trapaceiros !


7-1 !! Por mais que não se queira prestar atenção à coisa, sete são sete, se lhes somarmos cinco, entregues ao domicilio, perfaz doze, uma dúzia, coisa fácil de fixar. Sabem agora os lagartos o que se sente quando se enfarda assim, forte, feio e sem apelo! Eu soube-o em Vigo faz tempo....
Liguei a um ou dois amigos que sabem falar de bola, pena que são verdes, ou melhor assim, falamos, picamo-nos, divertimo-nos, choramos cada um para seu lado. Não há misturas, desde a infância que aprendi que jogo de futebol é Benfica-Sporting e o resto são trocos.
Há uns tempos, muito tempo aliás, o FCP começou a dar nas vistas. Lembro-me bem, com a conversa de Pedroto a acicatar os ânimos provincianos, a bandeira da revolta, começou o despudor de ganhar a qualquer preço. E podem crer que assim foi no começo, assim continuou, construindo um ' império do mal ' onde, com tanta fruta e café com leite, tanto árbitrozinho corrupto e analfabeto ávido de umas pernas bem abertas, uma rede que não deixava nenhum pormenor ao acaso, honra lhe seja feita, chegando aos dias de hoje com o espectáculo deprimente do Apito Dourado e do Caso do Envelope, onde testemunhas saltam de um lado para o outro, juízes debitam barbaridades que em qualquer País dariam azo a cabeças a rolar, com o foco da questão a sair de julgar e punir batoteiros e a entrar num mundo idiota de diz que disse mas não fez.
Nada tenho contra o clube FCP. Nem contra o SCP. Não gosto deles, nadica mesmo... mas passam-me ao lado. Quando ganho ou quando perco, junto dos meus AMIGOS de outras cores, brinco, provoco e encaixo quando é a minha vez. ODEIO a batota. E os batoteiros.
Ontem, na enxurrada parte II da triste aventura verde na Champions, tive pena do que sentiam alguns amigos, gozei a contagem de quem tantas vezes me atazanou com Vigo.
Hoje, hoje estou pelos de Madrid, embora saiba que dificilmente ganharão nas Antas.
Mas estou por eles porque me enjoa o cheiro a batota, as palavras doces de um cronista que acha que a inteligência parou nele e que engana tolos como quem vende livros, porque me irrita a impunidade de quem às claras, às claríssimas aliás, arma a feira, engana o incauto e nem com a bófia se tem de preocupar. Bófia? Qual bófia ??
O cronista, o tal, pergunta se foi sempre tudo à batota. Como diz o povo, quem rouba um tostão rouba um milhão. E foi! Quase sempre mesmo, não significa que tenha de ser em mil jogos, basta naqueles em que estão de aflitos. Beira-Mar, Estrela... ahn ahn, o pai já vem. E a caminho da champions, golo invalidado ao MU, coisa limpa como as coisas limpas. Lembra-se cronista distraído? Eu sei que lembra mas faz que não. Como a justiça aliás. Basta ser no momento certo... no sitio certo, com as pessoinhas certas e o nojo veste-se de freira!

Fuerza Atlético de Madrid... Danke Bayern !!

ps: o menino Veloso surgiu inesperadamente a titular, levou com Schweinsteiger, trocaram-se-lhe os olhos e as voltas, que não o penteado! Não deve ter deixado grande cartel naquela terra, calhando os tais ingleses que se dizem interessados vão pensar melhor... o IKEA também, com aquele arzinho parecia um abat-jour o petiz!

psII: o ps anterior explica muita coisa ... digamos que uma meia dúzia ( para não enjoar ) de coisas!!

segunda-feira, 9 de março de 2009

pontos nos iiii do reiiiiii na barriiiiga !


Costumamos elevar a nossa indignação ao alto quando numa qualquer reportagem ou artigo nos apercebemos que 'os americanos' não fazem ideia onde fica Portugal, ou pensam mesmo tratar-se de uma província de Espanha, quando os ingleses, tirando os camionistas que vêm de férias para Quarteira e arredores, não fazem a mínima ideia de quem sejam Sócrates ( não o filósofo, esse sabem-no bem - exceptuando claro está o ror de adolescentes papás e mamãs e os hooligans, que aqui não contam já que se encaixam nos veraneantes ao destino algarvio ) ou Cavaco ( a não ser que se trate dos manos que fugiram da prisão e criaram uma aura tipo Frank e Jesse James ). Quando qualquer alemão ou outro europeu mais para o norte sabe de Portugal apenas os nomes de Eusébio e Cristiano e por aí se avia. Como é possível, perguntamo-nos, confundirem-nos com províncias ' hermanas ' ou nada saberem de Lisboa e suas particularidades ? E no entanto, seria engraçado pedir ao cidadão comum da nossa terra que apontasse, e já não se vai exagerar no pedido, cinco, vá nem tanto, três dos cinquenta estados norte americanos. Ou que nomeassem a capital norte-americana. Não chegando à crueldade de lhes perguntar o que lhes diria o nome de François Fillon, Angela Merkel ou Giorgio Napolitano, bastaria uma incursão básica sobre capitais europeias e monumentos históricos dentro da nossa Europa para entender que vivemos mais longe dela do que um bando de 'arrogantes' americanos ou japoneses de câmera digital em punho.
Num país onde a corrupção, a pedofilia, a impunidade de governantes 'hard core' em desvios de dinheiros públicos, o desrespeito obsceno nas estradas, a violência doméstica que abandona velhos, crianças e mulheres como nem os animais fazem, são assuntos de segunda ou terceira na ordem do dia, muito a seguir aos Benficas-Sportings e arraiais carnavalescos de outras bolas ... num País assim, apetece perguntar... que interessa mesmo se o Joe acha que nós somos um género de Andaluzia ou Galiza? Se calhar o analfabeto Joe, em sua camisa de labrego cowboy, está apenas a dar-nos uma dica de caminhos a seguir. Começando talvez por olhar para o reiiiiizinho na barriiiiga que tão inchadamente gostamos de exibir. E que não é da cerveja !!

quarta-feira, 4 de março de 2009

milhões sem fim ... ou a cor a preto e branco!


E cem eram os dias de espera
Assim cem parecessem tantos
Que a morte longe
Longe
Se escondesse
Quedando-se a vida em espera
E de dias se vestindo
Aos homens sempre mentindo
Em bocados se esvaindo
Desfeita
De tudo vazia
Espalhada em toscos pedaços
Como ser inanimado
Rascunho de ténues traços
Acabado
O Ser
O ser
O vê-la sem ver
Tê-la não tendo
Vida pouca em tempo tanto
Esmagado e vadio momento
De morte em tempo e alento
No tamanho de cem dias

Por onde parava a vida de Manaco, cidadão de direito e papel passado, era coisa que ninguém poderia responder. O ser, aparecido aos dias seguidos por ali, avenida de correrias e gentes sem rosto, estendia a mão aos céus, como se nele deus o esperasse e tempo tivesse a perder em insignificância tal. Jorravam os milhões. Jorravam milhões, assim rezavam as novas nada novas. Morriam milhões, aos milhões, ainda que vivos e de pé, de pé e mão, esta estendida, que de cansada não podia já cavar. Manaco sorria, um lindo sorriso de espanto e dó, pelo deus em suas falhas, por si em suas migalhas, da gente de olhos cegos que não pedia nem vivia, porém atenta aos milhões. Que jorravam como vimos. E como Manaco podia em fé testemunhar. Boa e má. A fé!
Javier rebuscava em monte de lixo a ementa diária. Agoniava-o o cheiro. Não do monte onde chafurdava refeições e dignidade, mas o do perfume da humana gente que encarreirava as filas perdidas, de almas falidas e vidas esquecidas. Gordos e com trejeitos maneiros de quem não perdoa. Os milhões jorravam. Os dias não acabavam. Em noites de descanso.
Claudomiro parara. Há muito que domara o corpo em sua incessante ladainha de chorar alimento, cortara cerce tal veleidade, de mirra e incenso fazia a dieta, se à alma serviam ao corpo caberiam. Claudomiro pesava o impossível número de quinze quilos, contrariava a ciência e a fome desmedida de quem o esperava para adubo. Miro, o avô Miro como lhe chamavam os meninos da rua, havia morrido morte sábia e mantivera-se de olho aberto e respiração fingida. Era parte dos milhões jorrados, no lado errado por desdita sua, no dos milhões despejados melhor seria dizer. Que sábio era Shimabukuro, o senhor Shimabukuro que no secreto mundo dos sonhos lhe aparecera em trajes de fome longinqua e lhe ensinara a arte aparte de não fazer parte.
Manaco, Javier, Miro e Shima, não deixavam um dia só passar sem rezar pelos deuses, perdidos em sua ciclópica tarefa de ao homem ensinar a ser homem...

E jorrando sempre e para sempre
Os milhões de isto e daquilo
Que não se esquecessem os homens
Do tamanho e pequenez no olhar
Que não via os dias
Não olhava aos homens
E os mandava aos deuses ajudar

foto by red @ bocadosdetudo

sábado, 21 de fevereiro de 2009

is that you viktor ?



Como de costume àquela hora, predominava o amarelo dos ' yellow cabs ', a multidão absorvia a sinfonia de ' honk's ' que se habituara a ter como parte do cenário auditivo, que seria de Nova Iorque sem aquele bambúrrio de buzinadelas como companhia do formigueiro de gentes que encaixava por entre um caleidoscópio de néon's e cíclicos ' walk, don't walk ' que o agarravam e empurravam no ritmo automático das vinte e quatro horas dos dias que nunca acabavam e que a cada hora recomeçavam vindos do nada? Era assim. Nunca ninguém perguntara porquê, mas todo o mundo sabia que era assim.
Viktor, um mais, vindo de lado nenhum para aquele lado global, Viktor sabia também que era assim. Parado no semáforo que lhe regulava a condução, deixara-se embalar por uma viagem de regresso, onde revia a pacata terra que o vira crescer, sonhar e partir, longe iam os tempos de saltos aventureiros de curta duração, as manchetes que desenhara em escondidos sonhos, longe estava o desempoeirado pacato lugar seu, de avenidas poucas e mesas de café muitas, que tanta vida haviam visto desfolhar por entre insuportáveis tardes de calor, regadas e banhadas por infinitas rodadas de impossível cerveja. Viktor estava ali. Sonhava parado. Acordado até. Não ouvia já buzina alguma, não distinguia verdes ou vermelhos, tolhido e quase esmagado na imensidão daquela maré em fúria, naquele ribombar apocalíptico de coisas, sons, gentes, caras, cores de outro mundo. Olhava parvo seu táxi, a que nem o amarelo via ou reconhecia, balbuciava gagas instruções, falhava as manetes, atrapalhava-se em pedais, negava a desistência, coçava a cabeça ... ' Viktor, vai !! ' .. dizia-lhe uma voz, duas, três até, e ele que sim, que ia, que iria, que quereria ir. E Viktor foi. Devagar, num torpor agoniado, mas foi. Chocou com coisas, chocou consigo, limpou armas, sacudiu o pó, enxugou a vista quando esta se lhe turvou. Mas foi! E começou a escrever !! Sem saber se Viktor existia ...

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

que seca de post!


Completara-se o terceiro dia seguido sem chuva, Raul Diaz perguntava-se a quem tal fenómeno poderia interessar, três dias a seco, gota de água nem vê-la, o facto era que assim rezava seu dia, um calor tórrido por companhia, o mundo algures girando por certo em torno de si mesmo, si mundo, não si Raul, com dilúvios certos aqui e ali, melhor, ali e algures, e ele Raul cavava, não fazia ideia se por necessidade se por distracção, o facto é que cavava, dezassete metros já lá iam, a olho medidos mas nunca menos que dezassete por certo, tantas vezes o meio metro de seus braços acima abaixo, areia na mão, areia longe, o buraco ganhava proporções bíblicas, quanto mais fundo mais escuro, mais longe, mais fresco, mais nada, mais tudo, Raul cavava e cavava, e o sol dançava em sua inclemência, do astro claro, e os dias passavam seguidos em horas que não se tocavam, três já lá iam como vimos, e por ali, lugar deserto de humanas espécies, habitava bicharada fugida ao esculpir divino, eram mais coisas do diabo por certo, tal era seu à vontade naquela frigideira arenosa, dengosa, para quereres perigosa, deus não quereria ter feito aquilo, nem mesmo aquele em que não acreditava, um deus pequenino e vazio sem respostas para as suas mais que humildes súplicas de ser criado à sua imagem, Raul Diaz sentia-se cansado do vazio vindo de todo o lado, por isso cavava, quem sabe se vinte metros já lá iriam, mas a quem poderia isso interessar senão aos mesmos a quem pudera cativar interesse o terceiro seguido sem chuva, dia claro, ou seja nenhuns certamente, e assim veria seu dia acrescentado de um significado envergonhadamente escondido, como tantas vezes vira e aprendera a fazer na sua ida e despachada gente de perto, a quem guardara os cheiros e vozes algazarreadas, e não existindo este termo aqui cabe na mesma, quem disse que existe Raul, Diaz de família, perdido e cavando em sitio que tão bem sabemos e ao mesmo desconhecemos, mesmo o quê perguntar-me-ão .. tempo talvez, como se ele houvesse sem ser parado assim em escavações imaginadas, como pudesse eu saber, apenas porque em relato testemunhei essa falsidade feita gente acabada em buraco ganho a duras penas, repetidas braçadas, num repetido sono de repetida inconsciência de um inventado sul americano que juro em vida nunca ter visto. Mas o facto, inegável, porque assim se nos apresentava Raul, era que se completara um dia mais, sem pingo ou gota de água e o mundo continuava a girar...

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

sorte

Longos e esguios são teus braços
Que nem asas de deuses conseguem
Igualar em majestade
Sequer ficar a metade
De caminho que inventas em traços
E por mais que as estrelas naveguem
Sem lugar é tua cidade
Longa, esguia a saudade
De teus braços ver abraçar
O mundo de deuses e indios homens
E nos dias que inventas, sem lugar
Meu, teu, de viva alma
Em rezas choradas sem calma
Para seres dada em mão de gente
Que não te pisa em dias seus
Não te encontra, como quem sente
Que nas asas dos deuses apenas voas
Nas da gente. esguia te tornas
Sorte
Pobre sorte
De alguns apenas na morte

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

tá morto, acho que tá morto...



A floresta fazia jus ao capricho divino de a desenhar em arabescos do mais puro êxtase, o pôr-do-sol sublimava o absurdo de cores, contrastes e sensações, como num bailado de pinceladas saídas da mão perdida de um génio da tela, de sons por entre o imaginado e o surreal, num povoado de ventos que assobiavam sua liberdade etérea. A coisa era de grandeza e pronto. Ou melhor, ponto, final e parágrafo.
Se de si já não maneirava em grandezas, peneiras e outras que tais, Tota pasmava abismado por tão incomum como eloquente e esmagador cenário, qual bravata de deuses sacados a ficcionadas histórias, em não tão ficcionadas gentes, que nelas faziam viagens de mais difícil relato do que seria de supôr ou imaginar, atendendo ao infinito potencial da humana mente.
A seu lado, numa quietude e silêncio que os da sua espécie haviam aprimorado a níveis de alcance raro, fazendo do aroma a majestade dos traços de seu ser, Bosta contemplava também aquele manjar sensorial que o bosque, conluiado com as diatribes exibicionistas de uma natureza quase perfeita, oferecia a quem nele depositasse e arriscasse seu deleite. Por um daqueles mui terrenos percalços que num estado de semi-hipnose ganha francas possibilidades de se tornar facto consumado, Tota viu sua caminhada presenteada e acrescentada da companhia inesperada de peganhenta substância que, mais que enjoativamente pastosa, trazia um fedor pouco digno de tão indizível cenário, lembremo-nos que até ficções galácticas aqui já se abordaram, trazendo à colação e ao silêncio até aí cumplice um despropositado e sonoro desabafo:
- Foda-se, já pisei merda!
Ainda que sendo verdade, ainda que admitindo a legitimidade de cada um na sua reacção a tão desconcertante como indesejável momento, Tota rebentou naquele momento com toda e qualquer pretensão divina de conjugar em elementos seus um pouco do paraíso que se ocupara a criar, vendo cair por terra qualquer ilusão que um imaginado chilrrear de pássaros pudesse criar naquele apoteótico fim de tarde. Tota, pisando Bosta, não só pisou como fez. Merda claro. Logo ele, badalado elemento de ficções mas das terrenas e diárias, usado e abusado em seu esplendor como poucos, Tota, cognome ganho a duras penas, sacado em briga de sabedorias populares, Tota, o pénis, via cair por terra toda a grandeza e inexpugnabilidade de seu ser.
Na orla da floresta, bandos de anões e fadas saídos de histórias de encantar, mais uma excursão de japoneses de câmera digital em punho, acrescentados de romarias e procissões que ao bosque acorriam em busca da magia de tardes improváveis assim, não desdenhando todo este acaso de improváveis incongruências helicoidais a presença do universal Lelo, alvoroçavam ainda mais o estilhaçado e ex-idílico entardecer, numa troca de ciências certas e dizeres garantidos:
- Está triste..
- Não, está apaixonado... mais me parece apaixonado!
- Que nada, anda em baixo, isso sim... que de baixezas de moral entendo eu.
- Coitado, tão feliz que andava ... e agora, veja-se lá isto, esconde evidências e recalques..
- Aii senhor, atão nã me parece pouco visto pelo doutor, que tem o moço?

Tota, raspada que fôra a excrescência causadora do sonoro e quiçá censurável desabafo, contemplou a orla do bosque, deixou lágrima pelo acabado e ímpar colorido daquele fim de tarde, aquiesceu com a turba em suas sabidas sentenças e disse de si para si ...
- Foda-se, pénis, vê lá por andas.....

sábado, 7 de fevereiro de 2009

longos caminhos

Nos longos caminhos de curvas mil
Em relógios de ponteiros sem tempo
Parado estava o olhar vazio
Porque no silêncio dos dias assim
De bocados e bocados sem bocado
Reza a história e as gentes também
Que não há aviso nem mordomias
Em tais longos caminhos mil
De curvas turvas
E parados olhares
Vazios ponteiros
De dias idos
Sofridos
Perdidos
Em nada escondidos, como não tidos
Os caminhos de curvas mil
Onde se te envergonha a soberba
De bobo de rei em marcha pateta
E nos relógios das horas sem sol
Nos dias das sombras dos pobres
Por onde anda a estrada tua
Vinda da morte do momento
Em que se perdeu em curva perdida
O longo caminho que nunca nasceu
E afinal
Que bonito parecias ser

domingo, 1 de fevereiro de 2009

papinhas e vaselinas ...


Vindo do nada, onde tão bem navega, o Papinha resolveu fazer das suas. Num assomo de birra de escola, armado de um puritanismo que lhe assenta tão bem como um par de cornos no Pai Natal, resolveu indignar-se com mais uma das putas de trapalhadas em que o futebolzinho português se transformou, muito por culpa sua e do bando de rapazinhos bacocos que andaram anos a dar chitos, e quem dá o que tem não merece castigo, mas que esperar dos parolos senão coisinhas suecadas e outras cegadas? E o Papinha ligou para a capital a fim de informar o fleumático presidente de uma agremiação que gosta de utilizar como plasticina, de que na data em que estava agendado um jogo entre as equipazinhas de ambos, não fazia a mínima ideia se iria o clube da província comparecer, a não ser que de imediato acatassem a chantagenzinha de polichinelo e resolvessem o imbróglio que impedia o clube que ele tanto odeia, como abertamente inveja, de jogar nesse mesmo dia. A tal não acontecer, que desculpasse o senhor doutor com ar de menino da mãmã, mas que não sabia se o autocarro vindo da terra chegava à capital. Tudo espremido, a utilidade do telefonema foi a mesma de um sabão clarim no deserto, só mesmo para meter no cú ! Inchado com a deferência papal, ainda que para nada mais servisse que não manter a esperança de futuras atenções e mordomias, o presidente carismo-fleumático anunciou à imprensa, aliás garantiu mesmo, que a haver bambúrrio não era desrespeito ao seu clubezinho, de tal havia sido informado pela via vaticana. De acordo, desrespeito não será... apenas falta de vaselina que um dia mais tarde irá sentir e perceber. Se lá estiver claro, o mais certo será nessa altura ser outro a atender telefonemas e fazer genuflexões.


Eu por mim acho que preferia borrar um pézinho todo até ao pescoço, a ver o meu Benfas fazer parte deste entrudo de menores mentais. E como não sou o Katso e não me arrepiam castigos por abrir a boquinha para falar da merda e outras aberrações, quero mesmo é que esta gentinha vá mamar na pila de um equídeo da guarda nacional. Não há rabo que aguente. Ou melhor, haver há e até sem vaselina... mas isso é cenário que não me puxa.


sábado, 31 de janeiro de 2009

era uma vez...

Era uma vez um sitio, um sitio com pessoas, quantas não se sabe, não porque não fossem contáveis, apenas porque algumas não o eram, algumas não, muitas, e assim era dificil dizer quantas pessoas tinha o sitio, que as havia devia haver, que se viam poucas era sabido, que se ouviam uma data delas sabido também, pessoas é que não se podia jurar que fossem, falavam como elas sim, quer dizer, falar falavam como humanos, mas daí a pessoas ia um bocado, e nesse sítio eram bem-vindas, ouvidas, escutadas, com a cabeça suas palavras meneadas, que sim pois e perdoadas em toda a extensão do seu vazio, era digamos que um sitio sitiado, que não por gentes e exércitos, apenas pela vontade grande de não a ter, a vontade claro, no sitio pois, o sitiado de que falamos. Estranhíssimo fenómeno um dia se deu por lá, um pingo, era uma vez um pingo, um pingo nem grande nem pequeno, apenas ele mesmo, por ali à vista, a tantos igual e no entanto especial, daqueles que impa, por se saber coisa rara, vista, revista, e no medo dos ignorantes malquista, mas isso não sabia ele, nem que dele nada sabiam, naquele sitio onde era uma vez. Um pingo e pronto. Murmúrios traziam ao vento as respostas, vestidas de medrosos palpites, ganhavam-se ares basbaques, aos tementes da mudança vinham achaques, e todos no sitio ficavam quites, que era de vergonha, nunca, de coragem, menos ainda, de senso do bom, impossível, de indignação, como é possível, de dignidade seria?. Foda-se ! Era de água, apenas um pingo de água mais. E o sitio, onde era uma vez, descansou, assobiou, coçou, limpou a caca eternamente agarrada, guardou o cheiro e invejou!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

em mundo teu ...

Diz-me velho, diz-me apenas
Agora
Segreda-me senão desespero
Por ora
Onde morreste, em que parte
Sem hora
Se perdem as vidas em solidão
Com demora
Cheiram a ninguém tuas rugas
Embora
Seja o fim, seja a morte a sorte
Que te adora
E que maldita seja a memória
À nora
Repetida tua morte e história
Que rasgo
E em teu vil e puro abandono
Me engasgo
Eu, gente ninguém sem dono
Com ninguém fujo
Com ninguém fico
Se te deixar perder velho meu
Se te esquecer em mundo teu

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

private one....


... some books are travelling !

sorte, curiosidade, estupidez e destino fodido..

Saio de casa a correr para levar as crianças à aula de natação, chegado perto do carro, merda... esqueci-me da chaves em casa, ' pai, olha o que encontrei no chão ! .. ' as chaves, ali mesmo, caídas à espera. Sorte... Nem deu para subir e desesperar dois andares acima.

Tiro uma pizza do congelador, ai as pressas e pouca antecipação, havaiana no caso, os miúdos gostam. Sento-me a ler um pouquinho do romance que ando a devorar, uma das personagens principais, entra a fazer tempo numa pizzaria e, voilà, aviou uma havaiana também. Curioso, como te entendo Lisbeth ..

En passant pelo Domingo Desportivo que cada vez me seduz menos, ouvia ontem a explicação do iluminado de serviço, tipo de personagem que em qualquer das televisões dificilmente esconde a sua tacanhez jornalística:
' Há um contacto do guarda-redes a provocar a queda do atacante, mas o modo como este cai é exagerado, fez bem o árbitro em não assinalar a grande penalidade.' Brilhante. De estupidez.

Uma semana depois de ter atribuído o epíteto de Bailone do séc XXI, numa tirada que mereceu post por estas bandas, o sr. Salvador vê outro elemento do apito fazer das suas, roubando ao seu clube o dobro das grandes penalidades que o tal por ele etiquetado havia feito no jogo anterior. Acrescentando este o pormenor de validar ao adversário um golo em posição irregular. Aiii .. e agora ? Com que nome o apodas ó Stallone dos arcebispos? O destino, como´certas boçalidades, é fodido !

não resisto a ....

...transpôr para aqui a versão da frase emblema de Obama, versão portuguesa, que me enviaram por mail:

"YES, WEEKEND"

ps: dá moral ao post abaixo !!!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

inevitável ...


... falar do homem do momento. Tomou posse como presidente dos Estados Unidos e isso era por si só coisa de dar enredo a postagem de blogue que se preze de não andar no alheio total da realidade. Ser o 1º negro a fazê-lo dá-lhe, para além de estatueta na curiosidade estatística, um factor extra de análise pelo mundo glutão pronto a julgá-lo, assobiá-lo, analisá-lo, apalpá-lo, criticá-lo, abraçá-lo e todas as coisas acabadas em ' á-lo 'de que nos possamos lembrar. Resolvi imaginar o que seria se lhe juntasse um dado mais para influenciar juízos acerca da sua capacidade para o cargo. Tomada uma das primeiras, senão a primeira das suas decisões, a suspensão por quatro meses de todos os julgamentos em Guantánamo, surgiu-me então aquele que seria por certo o desafio supremo, a exigência sublime, para Barack XLIV.

E se Barack governasse assim em Portugal? Suspendendo um julgamento de semelhante projecção ?

Péssimo inicio. PÉSSIMO. Começar a governação pondo em prática promessas eleitorais ? Mau ... Que é que esse gajo quer, quem pensa ele que somos ? Totós ? A oposição. até aí histérica a requerer tal suspensão, dava um salto de rabo para a pila e começava a infernizar o ambiente, que assim não... que era prematuro e bláblá e que mais que também, que pelo menos devia adiar a coisa, sei lá, uma comissão de inquérito, um referendo, um telefonemazinho a Bruxelas a, pelo menos e devido à grandeza da coisa, solicitar uns cobres extra para ajudar à hercúlea tarefa. Aturdido, atónito, quiçá meio apalermado, mal sonharia o marido de Michelle que o pior no entanto estaria para vir. Dando sequência à ordem presidencial, a máquina administrativa punha-se em campo e descobria, com espanto e pela primeira vez, que de todos os julgamentos ora suspensos nenhunzinho tinha dado um passo de jeito em frente sequer, tabelavam por entre recursos, adiamentos, repetições, incidentes de suspeição, arguidos doentes, arguidos ausentes, advogados eloquentes, sessões dementes. Mesmo com a ' Judite ' ao barulho e a contratação de investigadores a recibo verde ... levaria pelo menos o dobro do tempo da suspensão decretada só para desencantar por onde andariam aqueles processos e julgamentos que o nº 1 queria em águas de bacalhau, por falar nisso, no bacalhau, o Natal está aí não tarda, só falta o Carnaval, a Páscoa e o Verão ... e o homem quer a coisa a mexer , quer rebentar com o pessoal, não respeita ninguém, nem os trabalhadores, os processos, vê lá tu, o que ele foi desenterrar, mais ainda para os suspender, ainda se fosse para guisar com batatas e mandar ao constitucional, por falar nisso, esta josta de ideia deve ser inconstitucional, já falaram com o moço da voz fininha? .. ele que bote falação, se não ajudar pede-se ao professor, não a um qualquer que eles andam que nem nos vêem, pede-se mesmo é ao prof. Sousa que o que ele disser está dito e bem de certeza.

À segunda e terceiras medidas Barack já teria percebido que entre os doze trabalhos de Astérix e ser o 44º, 1º em cor, de Portugal, antes aqueles que este, saltinho ao google por certo lhe traria novas, que não frescas nem boas, já o César, Julio de nome primeiro, tinha mandado capangas para este local e o recado de volta .. ' que não fazíamos amor nem saíamos de cima. ... ' não o animara a conquistas posteriores. A 4ª, medida bem entendido, dar com o Terreiro do Paço e fazer-se à estrada, que é como quem diz. Tejo e Atlântico, que se faz tarde e ainda o esperam para jantar.

Sorte. A do homem do momento. É bom no que faz e não lhe tocou no sorteio jogar na liga Sagres. Que faça por eles, pelos desgraçados dos americanos que ninguém grama mas a quem ninguém larga da mão na hora de pedinchar vistos e abébias outras, que faça por eles, assim o ajude o senhor.... opsss, com letra grande desta vez. .. o Senhor. the Lord, ou God, como nas de um dólar !

Deus te abençoe Barack. Olha se o papá tem antes seguido o Obikwelu ?

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

passarões ....




Pena que tenha sido na rádio ... perdeu-se um momento felliniano, não mereciam, nem o Federico nem o sr. Salvador, acabadinho de ver a sua equipa perder e logo dá de caras com um microfonezinho só para ele, a coisa era para o País todinho, ai era ? .. então tomem lá verborreia da boa, por aqui me avio e ficam já a saber que além de engraçado sou culto, que é lá isso de me tomarem por bravo duck, nada a ver não senhores, aqui vai faladura da minha, indignação e da boa, como já vi malta lá do sitio botar:

- Este árbitro é o Inocêncio Bailone do século XXI ....

Inocêncio quê ? BAILONE ? Ó homem, mas onde é que foste buscar uma coisa dessas, se o Woody Allen te joga a mão vais directo para um daqueles cromos que só ele sabe desencantar. Estranho que o repórter não tenha retorquido em espanto perante a transposição secular de figura mítica existente apenas naquela cabecinha, coitado se calhar também não deu pela coisa, é novinho, estava cansado ou é daqueles que acha que levantar ondas ou pegar bois pelos cornos é coisa de surfistas ou toureiros. Mas... BAILONE sr. Salvador ... ? Olhe que as finas ironias com que se bajulam manipuladores e manipulam bajuladores requerem ainda assim algum trabalhinho de casa e hoje em dia, com o Google sempre à mão, um gajo leva três segundos para descobrir que o sr. Tertius Zongo é primeiro ministro do Burkina Fasso, por isso desculpe-nos lá, mas se vem com tiradas à sr. José Maria ou Jorge Nuno, pelo menos acerte no nome do homem. Ainda por cima Calabote tem tanto a ver com Bailone, como Cachalote com Simone, cum raio, você estava mesmo nervoso ou é sempre assim? E tirando o desacerto da coisa, assim ao jeito de falhar uma fuscaçada com uma de canos cerrados a meio metro de gaiola cheia de pardais, cuidado lá com as questôes videntes, deixe-se lá de entrar por atalhos, a Maya já nos cuida deses assuntos. Roubo do século XXI ... o quê ? Um penalty evidente negado ao seu clube, mais um golo limpo, dou de barato e assino por baixo versus outro penaltizinho também, feito pelo seu assalariado Frechaut sobre o rapaz Suazo ( não viu, já sei que não viu, ou viu mas não se lembra, a sua BAILONADA comprova a pouca solidez no campo elefantino da memória ..) .. isto é que transforma o sr. Baptista, Paulo de baptismo ( vê, não lhe chamei Macarrone nem nada ao género, não custa nada !! ) numa figura marcada por tão acintoso ferrete, para todo um século ao qual ainda nos faltam noventa e um anos para ver o término ? Amigo, tenha lá calma e ... fé ... vá ouvindo as noticias e leia um pouquito se conseguir, não, não insinuo que não saiba, mas pode ver mal ou não ter tempo bem se vê, ponha-se à escuta às escutas e verá que não é caso para tanto, para atribuir desde já o seu Òscar de Reencarnação da pessoa Inocênco Calabote. E Inocêncio, por falar em ti, volta rapaz, estás perdoado até à 5ª geração ... a coisa aqui de inocentes tem-nos muitos, por prescrições e falta de outras coisas acabadas em ' ões' ... já na questão de calote, que não de Calabote, é cada tiro cada melro. menos o sr. Salvador que baila sua indignação num conto ficticio de bailonesca personagem, calhando vinha mal recordado, mal segredado, pelos amigos com quem toma café. Ah .. e se voltares não te espantes se te chamarem menino do coro, aquilo que fizeste rapaz, aquilo é coisa do mais puro e ingénuo amador, devias corar! E se em vez de ' menino do coro ' te chamarem Bailone, esquece, a coisa da bola hoje em dia dá para tudo! E para todos !

Bailone ? Ai se o Woody te apanha !!

às vezes ...

... deparo com uma coisa destas, escrita por alguém que conheço e não resisto ...

pessoinhas !



Todos os dias temos oportunidade de ler, ver e ouvir as opiniões desta ou daquela pessoa, sobre assuntos tantos que vão desde o preço do pão, os buracos na estrada, às mais intrincadas previsões e conjecturas sobre a evolução, senão da espécie humana, lembremo-nos de Darwin, pelo menos à da espécie lusa, esta sim a trazer-nos em maiores cuidados, logo abraçando e açambarcando com naturalidade a parte de leão, salvo seja, da nossa atenção e respectivo menear de cabeça em acordo ou talvez não. Uns há que pelo seu verbo fácil, ar de gente em quem se pode acreditar ou pela exposição lógica e inteligente de uma verdade La Palissiana, que assim lhes confere uns créditos mais, uns há dizia, que caiem no goto da gente e assim vão sendo apreciados em suas aparições, perdoados em suas falhas ou omissões, principalmente os que utilizam o espaço televisivo como palco dos seus malabarismos verbais, mais expostos mas simultaneamente mais endeusados. E há os que, por via de um estrelato conseguido por artes de analistas do olimpo, passam para a escrita a continuação da sua evangelização das massas, romanceando em pesados volumes ou páginas de jornal. E estas, as massas, agradecem e meneiam de novo, vendo a oportunidade de formar opinião sem a parte chata e trabalhosa de perceber o porquê das coisas. Um destes magos da opinião sábia e saloia, que adora ouvir-se a si mesmo, leva a coisa mais longe, achando por certo que cada coisa que diz, pensa e afirma, é não só inquestionável, como pertence ao campo das coisas escritas com a graça, luz e ironia dos iluminados. Sentadinho no seu canto, gosta de analisar e esmiuçar o assunto sobre o qual vai botar divina faladura, separa toda e qualquer verdade que vá contra a dama que defende, qual menino que põe de lado a cebola no prato. Acontece que a cebola por ali é bem mais que as batatas que acaba por servir, não se dando ao cuidado de tentar perceber que quem o lê, das duas uma, ou é um crente ajoelhado e de cérebro pouco que a tudo lhe dirá 'amén', ainda que este o mande vender a mãezinha, ou então, em duas penadas desmonta uma argumentação baseada numa manipulação tosca e demagogia de pacotilha.
Acabo de ler a pessoinha, chego a ter dó do seu esforço de apoucar uma realidade na qual o moço parece viver obcecado, ele e outros tantos como ele, que assim lhe garantem audiência ao escrito semanal, numa masturbação colectiva de frustrados mentais. Uns aplaudindo e grunhindo, o outro agradecendo embevecido o reconhecimento de sua pessoa ímpar na certeza de seu cagar. Dizem-me que o elemento escreve romances de grande porte. Imperdíveis. Grandes devem ser, pois que tendo-me sido oferecidos, ocupam cerca de seis centímetros de largo em seu lugar de estante, de onde saiem apenas para que o pó se limpe com maior facilidade. Já quanto ao segundo epíteto ... estarei também de acordo, pois que perder três trambolhos, só mesmo de propósito.
Parece todo este escrito um arrazoado de críticas avulsas ? Talvez. Mas é apenas a reacção que me suscita este tipo de pessoinhas que, do alto de seu banquinho de artista prestidigitador de palavras, acham que todos seguem pela bitola dos palermas voluntários que papam a sua receita requentada de verdades de La Palisse, mostrando o perfuminho que querem das damas que defendem, escondendo-lhes o cheiro pútrido e assobiando para o ar quando lhes convém. Dos que o lêem duas coisas têm garantidas: o ' sim pois claro ' dos imbecis e a piedade dos outros. Nada mau ainda assim, leva mais que o merecido!!

domingo, 18 de janeiro de 2009

mar


Amava o mar
Amava amando
Um amar sem mando
E sem desmando
Como se o mar amasse
Me amasse
M'amasse
Sem me amassar
A massa e o ar
O mar
E assim amado
Amarado em amor
Amassado, abraçado
Amarrado em calor
E em cor
De mar a amar
Num amar de mar
De amada dor
Esse mar sem cor
Que num estupor
Me deixa o mar amar
Mas amar amando
Como voando
Sem o amar terminar
E assim gritar
Que ama o mar
Quem ama amando

photo by redjan

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

desendeusados

Devagar, devagarinho
Matando
Olhando o passarinho
Sangrando
Rezando-te deusinho
Assobiando

Morram, que morram
Velhos
Loucos de outra cores
Indefesos
Que fujam, ou corram
Esquecidos

Deus, deus que procuro
Fingindo
Escondido em teu muro
Assentindo
E velas piores que judas
Acendendo

Mortos e sangues tantos
Bebidos em ódios rezados
E missas e salmos tontos
E deus da orgia e pecados
Oferenda que não pediste
Mas o diabo também não
Finjo-te o deus que existe
À morte dou meu coração

Morrem aqui, morrem ali
Morrem esquecidos
E mortos nasceram em ti
Foram paridos
Em sortes de deus que vi
São desamados
Sem nome, memória em ti
Desendeusados

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

a nuvem e o oceano ....


Manel olhava o ar, com aquela certeza de que era fresco, dele e para os seus dias, corriam estes com a calma boa dos sitios e lugares onde bordava seus tecidos de coisas de vida, apanhava as gotas da chuva como as tempestades de calor,onde não temia fechar os olhos de noite e deixá-los vaguear por oceanos inesperados, que o levassem a terras desconhecidas, lhe trouxessem pessoas chovidas da sorte, de pequenos lugares que não conhecia, pequenas cidades perdidas lá longe que fossem. A nuvem, aquela mesma que agora o cobria, puxava-o com a força dos sonhos sem medo, assim foi e se deixou ir, não sem a promessa que saberia esconder a paixão da viagem, sentir o beijo e aperto de coração daquela vida mistério que aprendera em criança, que lhe pegava no maior bocado de si e lhe ensinava a cor das lágrimas do querer, o tamanho nunca visto de amores desenhados nos sonos sem fim. Acreditava, assim queria acreditar, que longe, lá longe em sitio certo e nenhum, a noite agarrava e passeava de mão dada com a nuvem irmã e sua sorte, assim atravessada em mar gigante feito bocado ali à mão, corria a buscar em seu dicionário de coisas que se sentem, fugia para a magia aprendida na força e mistério das palavras em francês ... e dizia aos cavaleiros da noite que com ele ali voavam, sei o caminho de volta, cumpro minha promessa de em meu canto ficar. Manel sentia o ar pois, o fresco da manhã que o acordara e levara em passeio tão estranho quanto longinquo, como se apenas se tratasse de coisa de noite anterior, em que acordado a vira, as horas longas, tantas, quase oito juraria, dividira. Respirou e guardou aquela lufada de sorte impossível, guardou-se escondido em promessas ao lugar seu!

photo by redjan

sábado, 10 de janeiro de 2009

mar e rocha, quando ela bate nele !


As horas voavam e, como sempre, Marilu seguia em passo apressado para não perder o comboio, essa era sua sina, chegar sempre às últimas e perder a chance de agarrar lugar sentada, amanhã haveria de ser diferente, jurava com a mesma força e certeza de tal não acontecer. Chegada a composição ao cais, lá se arrastou com a carneirada em passo de pinguim, entrou por onde e como pôde, mais não desejou que qualquer coisa a que se agarrar com uma das mãos, que a outra serviria para lhe facultar a leitura para viagens como aquela, assim, quase sempre assim, fazia Marilu o percurso Porcalhota-Rossio que a havia de levar ao escritório. Naquela manhã, embrenhada que estava em leitura de conto de amor, levou tempo a aperceber-se que o inicialmente leve toque em partes suas, por trás bem se vê, se repetia numa cadência que não deixava margem para dúvidas, num crescendo de quantidade, qualidade e pressão, a coisa era propositada, invulgar e bem feita. Refeita do choque da descoberta que lhe distraía a leitura e, pior que isso, a trazia numa polvorosa húmida, que mais que preocupá-la a fazia engasgar em seco, deixou a coisa arrastar-se até ao ponto em que mais não, tal foi após ter gozado uma doce e violenta descarga eléctrica que lhe percorreu as entranhas e ecoou num gigante gemido interior de que não tinha memória em si. Sem aviso, que a coisa não era pública nem de requerer tais atenções, espetou uma cotovelada fortíssima no parceiro de trás, juntando à falta de aviso no gesto, a cirúrgica aplicação na força e local, como aprendera num prospecto de ginásio de Krav Maga, e que tomara por certo e seguro ser de uma inutilidade a toda a prova. Puro engano.
Alberto, Rocha de apelido, seguia sossegado em sua viagem, assistido pelo fiel parceiro de sempre, um lindíssimo Golden Retriever, com artes e conhecimentos de geografias citadinas, com lealdades e solidariedades tais que dele faziam um cão guia de truz! Foi pois como um raio que recebeu aquela descarga de cotovelo, que por pouco não o prostou de borco, dando-lhe que fazer nos dez minutos seguintes, qual fosse a tarefa de tentar reencontrar espaço para conseguir respirar, não ver era uma coisa, não meter ar ao bucho outra totalmente diferente e que não ia lá com cães-guia. O cão, esperto como só os cães das histórias sabem ser, apercebeu-se de imediato que o dono carecia de um amparo extra e, ainda que contrariado, viu chegar a hora de terminar suas focinhadas carinhosas pelo entremeio daqueles jeans com aroma a pecado e algum tesão. Chegou-se ao dono, que de imediato deu sinal de trela que a coisa era de estar sossegado e por ali, pois que alguém mal lhe queria, já que pelo menos a carteira não o era.

Chegada a viagem ao Rossio, vendo o personagem de bengala e cão ainda um pouco combalido, Marilu esqueceu pressas e correrias e cedeu uma mãozinha de solidariedade, ajudando-o a desenvencilhar-se por entre a turba formigueira e mais rápido chegar ao ar livre que lhe parecera o homem necessitar. Acabaram por dividir atenções um pouco mais, num café tomado no quiosque ao lado da paragem dos táxis, e onde nenhum dos dois resolveu trazer à colação as estranhas incidências na viagem acabada, limitando o assunto ao frio que fazia e a perguntas e palpites acerca da vinda da chuva ou não. O Golden, semi cabisbaixo, questionava-se se porventura sobraria para ele, tal era a capacidade detectivesca do Rocha seu dono, e palratória da moça cheirada, que ali sorvia o café por entre uma conversa sem nexo. Chegaram as despedidas, de alivio para uns e tristeza para outros e partiram, cada um a seu caminho, que a vida custa a ganhar.
No dia seguinte, Marilu, acometida que fôra por uma insónia que a não deixara dormir e a que não era alheia uma investida cadenciada em partes suas a que vinha dando pouco ou uso nenhum, saiu cedo cedinho de casa, chegando pela primeira vez à estação a horas tais que à chegada do comboio estava ali à portinha mesmo, o que veio a ter o nunca visto resultado de conseguir lugar sentada. Ainda mal refeita da conquista, largava o comboio seu aviso de saída da estação, Porcalhota ficava para trás, olhou ao lado e não sem surpresa e o seu quê de emoção reencontrou o cego da véspera, já ele se apercebera que ela chegara, o cão também, que nisto de olfactos a coisa piava fino e o perfume dela não era coisa de passar despercebido, outros cheiros mais escondidos também não, dono e cão em sintonia.

- Desculpe, nem me apresentei ontem ... Maria de Lurdes, ou Marilu, mas os amigos chamam-me Mar !
- Que prazer, Alberto, ou Beto, mas os amigos chamam-me Rocha ...
- Engraçado ... fica-lhe bem . E o cão, o seu cão, como se chama?
- É o meu guia ... chama-se Mexilhão.

A viagem decorreu em animada cavaqueira, o Rossio chegou em três penadas, desta vez não houve incidentes, para tristeza de um e uma, gáudio de outro. O cão, esperto como só os cães das histórias sabem ser, sentiu algum remorso e leal desconforto ao perceber-se com novo papel no dito popular, substituída foda por culpa no momento de Mar bater no Rocha, e tudo por farejados cheiros nela ... em sonhos desejados, à evidência negados e afinal atreitos a finais de falta de ar colectivo!




sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

no creo en perfeccion, pero que la hay, hay !

Perfeição. Estranha esta palavra. Debate-se a sua existência, existe sim segundo uns, que não retrucam outros, que se foda se sim ou não, penso. Perfeito pois. Deve existir, quando não sempre, certamente em algum lugar, leio saramago e sei que sim, lá está ela, encapotada de modo tal que sugere controvérsia de criar bicho, melhor, bichos, do sim e do não, arrogante a pessoa, nada contra, irritante em seu pedestal de porra nenhuma, acrescento, mas perfeição sim, puta de tal e total, quando pega e sai a correr em contos e histórias que há muito se libertaram das grilhetas pontuativas e da lei da morte, vai quem pode não quem quer, entenda quem entenda e a tal sorte se alcandore, pimpampum, assim reza a lengalenga infantil, pimpampum, três tiros três melros, não lhe encontro bocado que não vista o traje de perfeição feita bocado letrado, não gosto da pessoa mas disso não tratamos agora, não me conhece o visado nem tal se vislumbra ainda que em histórias como as suas soubesse desarrincar coisas de ser e não ser, à perfeição um dia me insinuasse num desesperado querer de o cheiro lhe saber, mas que nada, disso nada, de novo o contraditório de jus e direito, que nada, que impossibilidade de leitura sem tráfego sinalizado, mais ainda um espanholismo de juntar água, e da fraca, controverso pouco tanta a incoerência, do alto dita e debita, saberes de mariazita, não vai a gota nem a bota com a perdigota, e daqui não se sai, a lado nenhum se vai, azar, de um e outros, que se quede zangado por merda nenhuma aquele, que se fiquem longe da magia daquela perfeição que o veste sempre que agarra, numa caneta, nas palavras, e faz golos de maradona, bom de pés, não de mãos, perfeito também, os outros! como pode não gostar-se de ter o génio feito arabesco em mãos que folheamos, como pode o génio trair em palavras ditas as escritas, que se foda, ninguém me perguntou nada, a perfeição existe sim, deixá-la ir sem lhe tocar era coisa estulta, vou ali continuar a ler o homem ... ' não é todos os dias que aparece na nossa vida um elefante ' ! e ai jesus, que bem que sabe ver minúsculas assim aprendidas ....

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

deserto ...


Tão longa e infinita a areia em tua paisagem de rainha sem dó, texturada em mistérios de poder , longos teus abraços de lânguida secura, como a morte sedutora, de alma redutora, exibindo dotes de magia travestida, longas pernas de mulher fatal, braços de homem adónis, peitorais de hércules sem fim, em ti caminham loucuras vãs, de sangue manchadas, em sangue pintadas, um sangue barato e esquecido, no teu solo de queimação meus pés ofereço em troca, num rodopio de judas novos, de mães vendidas, vidas esquecidas, que vi em ti deserto mulher, espaço de fraco perfume sequer?.. onde secaram célere bocados únicos de gente de um dia ido, perdido, de cruzes e velas vestido, longo foi o caminho, infinito em areia movediça, escaldadiça a caminhada, longa a cruzada de demónio teu, como bem falavas, que bem vestias, cheiravas, assim te vi do céu, nesse céu que subi em espirais do mais volátil desejo, o de ganhar perdendo e deixando, perder-me sem te perder, assim falavam os sábios meus, que eram braços moldados teus, malfadados braços teus, lembras-te? sei que sim, lembras-te pois e bem, que luxúria na longa noite, que dolorosa a lenta ida de uma vida que quiseste um dia dançar, jurei proteger, voou, de mim, em ti, num estuporado vazio desculpado e não imaginado. Parto. Ao sitio escondido volto, segredo irreal, desnudo, de um ser e de um ser-se na multidão. De gente livre e descalça que voa sem cuidar de marés mortas, de longas e quentes mortes e sortes. Vê-me voar, exangue, mas vê-me voar, pois do alto resgatarei as pégadas ao esquecimento. Lembras-te de mim deserto?

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

maria ...


Chegara a hora do escuro, o momento em que voavam os pássaros do medo, chegavam os frios abraços das palavras esquecidas e se arrumava em mão bem fechada a vida de uma vida, sempre soubera esperar pelo exacto vento que trazia o cheiro húmido da terra e mares, como se de um trágico mensageiro velho e desconhecido se tratasse, como se não fôra nela e sua vida de espaços vazios de gente, gente desprovida de vontades tão simples como saber a cor do sol, a textura da chuva e a força dos vendavais, como se não fôra ali que parara a fada contadora de histórias de impossíveis lugares, que no entanto guardara, onde entretanto se guardara, num segredo de bocados únicos. Maria olhava as nuvens e sabia. Do seu caminho e de suas forças, de seus segredos de alto do céu, sempre as ouvira chorar o choro dos deuses e dos outros, trazer os sonhos esquecidos em tempos no tempo, chovendo chuvas de palavras voadas num mar de tanta e coisa nenhuma. Queria um dia gritar alto o quanto soubera amar, mas não tinha a fórmula do amor, quanto quisera, mas não conhecia equações que explicassem o tamanho do querer, quanto soubera, jurara ir e agarrar, mas não sabia como mostrar que as coisas não têm tamanho se nem seu lugar sabem escutar. Chegara a hora do escuro pois, Maria sabia, sentia, revivia, amava, guardava e escondia, olhando o vôo dos pássaros do medo, que sobre ela voavam com respeito! Apagou a luz, e com a janela aberta, bem aberta, todas as janelas que a cercavam em todos os dias que se olhava, adormeceu.
Lá fora, passavam os ventos calados, choviam bocados do mundo dos pássaros e de outras pessoas. E voavam os pássaros do medo!


foto by redjan @ bocados de tudo

domingo, 4 de janeiro de 2009

coisas de jeans e passeios em cercanias de mar ...


Caminho distraído paredão afora, ano novo afora, preocupações adentro, coisa de ter o mar por perto e vizinho, quando vindo do nada, voilà, cruzo-me com visão de deixar questão, a coisa arrastou-se-me, levou-me o pensar e o olhar, tento concentrar-me de novo mas não vai às primeiras, não, não é alienígena questão de que falo, terrena sim, do mais terrena possível. Um par de pernas enfiado ' nos limitezinhos ' em jeans de chamar à atenção, subir a tensão e outras que tais sem 'n', dão-me que fazer, esmiuço dificuldades matemáticas e impossíveis caso o capeta e o destino me apresentassem a hercúlea tarefa de à pressa ter um dia de tirá-los, aos jeans bem entendido ... nahhhhh ... coisa de belzebu, chego a pensar que melhor seria haver-me com um enchido fumado, constituído por aparas de carne ensanguentadas, gorduras e vísceras de porco da Raça Alentejana, finamente fragmentadas, adicionadas de sal, alhos secos pisados, pimentão doce e pimentão da horta em massa e por vezes, cominhos e vinho branco.
Olho o mar e volto à terra, abençoo e amaldiçoo estas coisas de apertos de tentação, recolho o vento na face, vem salpicado de mar e acordo... Melhor assim !

one day @ ... my kitchen and life !



- Pai, podemos acordar ?
- Já estamos meu filho, já estamos acordados.
- Então podemos sair da cama?
- Que queres de pequeno almoço?
- Hum, deixa ver .... panquecas, pode ser panquecaaaaas !


Hora pois de viver, salto da cama, passo na sala onde encontro o Rato de volta do computador e seu romance policial em embrião .... que queres de pequeno-almoço ? ... hum ... ovos mexidos por favor ... entro na cozinha, mal sabendo que dela farei meu escritório de vida e dia ... Sentados por ali os três, por entre syrup's, ovos com queijo philadelphia em torradas, arremedos de mocha java, começamos o dia ziguezagueando entre palavras inventadas do Kuka e jogos de magia do Rato. Acabado o repasto primeiro, loiça, tanta loiça para lavar, enquanto outros lavam dentes e a cara, as mãos e o rabo, que nisto de higienices não se facilita. Tudo lavado, pratos e corpos, começo a pensar num cigarro e café, se em casa se na BP, oiço ao longe o inconfundível som do Disney Channel, quando me entra cozinha adentro o ' meu mais velho ' com receita da Bimby acabadinha de sacar na net, impressa e tudo de modo a facilitar a minha ida às compras dos ingredientes necessários. Corrida à rua, Pingo Doce com filas tipo saldos do Harrod's, por ali não me governo, ai não mesmo, páro então para uma bica e cigarro calmantes, busco um Mini Preço escondido, compro o material listado, volto a casa e à cozinha, arrumo a loiça já seca e preparo-me com a bata de assistente de cozinha do Miguel. ' Dá-me isto e aquilo, mais aqueloutro, espera, já não, tem calma ..' , por entre as ordens vou limpando a bancada... ', ' Miguel, temos sempre de ir mantendo a coisa limpa ' ... ' Ok, mas passa-me a cebola, já descascada, claro ... ' e lá avançamos em passo certeiro até ao fricassé final, adoro ver o Rato a tomar conta das operações, o Kuka apareceu curioso e não escapou, encheu as mãos de farinha e nela passou os pedaços de frango como mandava o mano e a receita. Mesa posta, hoje por mim, minha vez claro, tudo à mesa, de novo conversas de gente pequena, média, de gente grande de volta a ser pequena, como reaprendo nestes momentos a minha altura de portos seguros, longinquos no tempo que não na memória de que faço arma. Tudo bem almoçado, com a tal de receita da Bimby e mais umas maçãs devidamente descascadas e cortadas aos pedaços, tomo um café inventado em intervalo à pressa, mãos ao lava loiças, tudo a escorrer, cigarro e finalmente me vejo sentado a ler as gordas d ' A Bola, tradição secular em vida minha. Pelo sim pelo não, deito olho ao tempero do lombo que espera ida ao forno mais para a noite, tem tudo e mais do que me lembre, alho e orégãos, pimenta preta e sal, azeite e vinho branco, tudo ao ataque entranhando-se por entre golpes estratégicos no naco, pego no pyrex e sinto-lhe o cheiro, de cozinha e vida, de filhos e conversas à mesa.
Não passaram duas horas, juro que não, mal passei as vistas pelo elefante do saramago em sua viagem .. ' Pai .. podemos lanchar? ' .... como é possível, lá estou de novo, torradeira em acção, um quer chá com leite, outro ao leite junta chocolate em pó, tão diferentes, tão iguais a mim, mais um ror de migalhas e loiça, devia ter um espelho por ali, sempre fazia introspecção enquanto gasto o superpop limão, tantos são os minutos que ali vivo, eu sei, bem sei, a máquina de lavar ali ao lado, feita decoração, mas é assim, sou assim, acho sempre que é num instante e fica feito. Olho as horas e já passam das cinco, usamos então a mesa para pinturas em mundo Crayon, do pai natal do mais velho para o mais novo, anda o Rato a encher a barriga de ' American Dad ' ... ' Pai, devias ver este, anda ver este ... ' , nem tento, mal faço menção de me mexer salta a sacramental ' Onde vais paizinho ? ' .. ' ... a lado nenhum descansa .. ' olho a parede, lá estão os ponteiros, quase sete, hora de aquecer o forno, preparar condições para nova tarefa/receita do Miguel, o risotto fica por conta dele, meu Deus os pratos de novo, parecem praga a saltar do escorredor para o armário, dali para a mesa, da mesa para o lava loiças, numa dança repetida de gestos de coisa banal e boa. Não passou uma hora e lá estamos, suculentos os pedaços, de lombo e conversas, de risos e perguntas de dificil resposta das bocas de um pinguço de cinco anos e pouco vs adolescente maior que eu, acaba a coisa com um pré-comprado gelado de unânime aceitação, derreto por um café último, mais seu amante cigarro, lá dentro lavam-se dentes, pôem-se pijamas, arrebanham-se histórias a ser contadas, oiço um zapping por entre a Fox e o AXN, sei que o dia segue dentro de momentos, deitando um, acordando outro que adormeceu no sofá, adormeceu sem sono, assim jurara pouco antes.

Desligo a televisão, vou apagando as luzes, o silêncio não me encanta, passo no quarto deles a dar um último beijo de boas noites, entro no meu e oiço o respirar do Francisco, que me vai convencendo que é só mais aquela noite a ficar por ali. Fecho os olhos, gostei do dia, tenho de descansar pois falta pouco para a luz aparecer de novo. E com ela os pequenos almoços ....

sábado, 3 de janeiro de 2009

voltinhas !!



Joana, ou melhor Joanne Rowling, andava pelo Porto no inicio dos anos 90, conheceu Jorge, apaixonou-se e casou, teve um bebé, uma menina. Muito pouco tempo depois experimentava as agruras de um casamento resolvido com uma ' berlaitadas ' pelo meio, mais uns ciumezinhos e posse daqueles que poucos cús aguentam. Deu às de vila diogo, bazou com a miúda, uma mãozita à frente, outra atrás ou nem isso. De volta a casa, sem cheta, fez-se à vida. Passados uns anitos, poucos, as histórias que escreveu foram editadas em 64 ( sessenta e quatro !! ) linguas e venderam à volta de 325 ( trezentos e vinte e cinco ) MILHÕES de cópias, tornando-se na segunda personalidade feminina mais rica do mundo, sendo condecorada pela Rainha e dando nome a um asteróide entretanto descoberto! Ai Jorge, onde é que tu já ias nessa altura rapaz !!

Barack nasceu em Nyang'oma Kogelo, distrito de Siaya, no Quénia. Foi andando para os States, estudou, conheceu Ana, melhor Anne, Dunham de apelido, apaixonaram-se e tiveram um bebé, Barack também. O rapaz foi ajudado a educar pela avó materna, não era mau diacho de todo e aos quarenta e sete anos tornou-se o 44º Presidente dos Estados Unidos, o primeiro negro, coisa de pormenor.


Em finais de 2002 o menino caso Casa Pia nasceu. Seis anos depois ... 500 sessões de julgamento depois está feito um rapagão.


A vida dá muitas voltas. Nalguns casos em frente. Noutros nem por isso !

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

sms's de santo natal e de próspero ano novo! ps: com saudinha e da boa claro!!

Por esta altura, finais de Dezembro, acontecem duas noites que nos obrigam a dar por elas. O Natal e o final do ano/começo do seguinte. E com elas as inevitáveis ceia e seus presentes, mais o ' reveillon ' e seus momentos de despreocupações.
Os rapazinhos das operadoras de telemóvel, pedem aos seus departamentos de marketing que aproveitem em força esta época em que não queremos que ninguém da nossa lista telefónica pense que os esquecemos em momentos de tanta ternura, na primeira noite, e de esperança na segunda. Vai daí ... magicam uma frase acerca do Pai Natal, se possível com uma graçola a roçar o erótico ou surreal, as renas também se dão a jeito para uma piadola, sendo que de todas as nove, Dasher, Dancer, Prancer, Vixen, Comet, Cupid, Donder, Blitze e Rodolfo, é esta última a que inspira mais ditoches, armam-se também umas larachas à volta do Menino e das palhinhas. Na noite última do ano montam-se também umas mensagens com graças à volta disto e daquilo, se possível com sexo e colesterol à mistura, desejos sinceros e comoventes de familias inteiras para famílias inteiras, que venha saúde, dinheiro, felicidade e mais uma série de coisas que inevitávelmente durante o ano temos sempre um pouco, tivémos no que acabou, teremos no próximo, se não for o caso pois podemos é admitir que a pessoa anda numa maré de um cabrão de azar tal que dificilmente um ' sms' sacado às pressas poderá resolver. Mandam-se bolos e estrelinhas mais foguetório, numa montagem de letras a que já nem as p ... das criancinhas acham graça... Montado o cenário, as tais graçolas a brincar com as bolas do pai Natal, a enrabar o Rudolph e a lamechar desejos sinceros expressos num ' sms de pacotilha '... as operadoras enviam uns quantos para alguns dos seus assinantes escolhidos aleatóriamente. Depois .. depois é um ver se te avias, se a coisa resulta para marcar manifestações, o que dizer do resultado nesta altura, em que venha o diabo se algum de tantos milhares de amigos que albergamos na agenda telefónica vai ficar a pensar que o esquecemos. No finzinho do mês, alguns milhões de euros foram gastos em bláblá de ' espera aí que o pai já vem', as operadoras dos nossos amigos de cú cheio, agora menos cheio em tempo de bancos falidos, aproveitam e somam um impensável reforço que sabe a 13º e 14º mês juntinhos.
Nas ruas, por entre o frio e a solidão, os mesmos de sempre continuam a penar, os votos do ano anterior não deram em nada, os deste ano devem caminhar para o mesmo adivinhado destino. Chegados a 2/3 de Janeiro, o pessoal da limpeza recolhe algumas toneladas de cartão e plástico, a maior parte despachada com os restos do bacalhau e perú de 24, mais as passas e garrafitas de espumante afrancesado do 31, com um bom bocado de ' recordações de gregório ', que a noite foi de arromba. Em menos de quinze diazitos, duas semanas vá lá, uns milhões largos são largados em sua função de nos mostrar queridos amigos, felizes amigos. E que interessa se até o sorridente inventor do ' Magalhães ' diz que 2009 vai ser ... fodido mesmo? Isso é só para a semana...
A todos um bom mês de Janeiro, ou pelo menos uma boa semana de 1/1 a 8/1 ... E vão mandando uma mensagem querida de vez em quando .... porque lá para o próximo Dezembro não há cú para ler nem a primeirinha...

Beijos e Feliz Carnaval, sendo a folia que se segue...

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

segredo

E não esqueças homenzinho
Em teu cagar vive o segredo
Como fácil parece o caminho
À fraca vida, dar-lhe degredo

Do alto de teu eu podes cagar
Em gente e coisas de verdade
Porque te escondes num altar
De deuses sem nome ou idade

De alto cagas, em ti e em vida
De baixo suspiras as mentiras
E mente de caca bem provida
Que nem sonharas ou sentiras

Assim teu deus não justo fosse
E tanto cagar visse, castigasse
E da náusea que não te trouxe
Fizesse seu fim e não te amasse

E que sentisses o sangue e dor
Nesse olhar de gente desigual
Soubesses assim pois do valor
De uma vida simples e mortal

Aprende no sol, chuva e vento
Os dias de mundo com pessoas
Vai ao fundo e vive o momento
És filho d'Ele quando assim voas