domingo, 11 de novembro de 2007

dispersão

De miudo partira, de sitios mudara, de quereres se aprendera a fazer! Olhava-se agora, parado em seu lugar de velho só, agarrado às falas e momentos idos, a abraços e cheiros que um dia soubera guardar! Raio de memória que com ele brincava, em que gaveta esconderia bocados rasgados, colados, vividos numa vida que arrastava há tanto tempo perdido? Manhã cedo repetia vontades, se prometia caminhos, num pulo saltava e voava na busca chorada da pessoa que lhe calhara ser, amigos jurara prender, lágrimas soubera em segredo derramar. Em livros aprendera, em letras se quedara, a nomes teimava apegar-se, de coisas, de gentes, de lugares, de inacabados sonhos, de dias que guardava como se dele tivessem sido! De novo a noite caía, de novo se enroscava num conto de crianças, se aquecia num corpo agora engelhado. E no coração da noite que em si e a si rezava, pedia apenas um fim. O fim ... ! De vida vivida que se acabava sem sentido abraço. Numa amálgama de caminhos descruzados, num horror de vã dispersão !

7 comentários:

gata disse...

...procurava o calor seguro do toque daquela mão, para dar o salto e chegar ao outro lado e acabar com aquela exaustão e continuar, o que nunca aqui começara e ter na eternidade juntos os pontos reflectidos da imagem daquela sensação, de ternura aliada à loucura de se saber apenas assim, aqui, à distância de um grito do fim no calro daquela mão.....


Beatiful.

Helena disse...

grande questão, como juntar os fios da vida num novelo só...

redjan disse...

Ou num novelo de novelos, mas que nã quis desenrolar-se !! Será antes assim, heli ??

Cati disse...

De vida vivida que se acabava sem sentido abraço.
Mas quem vive sem abraços, sem calor??? E quem consegue acabar a vida assim...?

Construamos um tempo claro, brilhante... uma vida e um mundo onde o abraço novo tem o mesmo sentido do abraço velho...

Acabemos com essa dispersão de afectos...

Daniela disse...

somos tudo. os cheiros os toques os esgares de olhares que se cruzam connosco as veias dilatadas de raiva e de alegria orgásmica. Somos os concentrados e as dispersões... e é tão bom sermos isto tudo... é mesmo bom, mesmo quando é mau!

ARTUR GUILHERME CARVALHO disse...

Num abraço de regresso ao tempo de voltar a ser, ao espaço em que em tempos voltou a viver... mais ou menos isto. Bem, Xaval. Dále com força.
ARTUR

Sofia disse...

O que acaba mal, a maior parte das vezes também acaba bem. GOSTEI!